Polícia encontra sangue no carro de empresário morto em Interlagos e intensifica investigação

Material foi detectado em quatro partes do veículo e será submetido a exame genético para confirmar se pertence a Adalberto dos Santos Junior, encontrado em buraco de obra no autódromo

Empresário foi localizado morto dias após desaparecer em evento - Imagem: Reprodução | Redes Sociais

Lívia Gennari Publicado em 09/06/2025, às 14h31

A Polícia Civil de São Paulo segue investigando as circunstâncias da morte do empresário Adalberto Amarilio dos Santos Junior, de 35 anos, encontrado na última terça-feira (3) dentro de um buraco de aproximadamente três metros de profundidade no Autódromo de Interlagos, na Zona Sul da capital. Adalberto estava desaparecido desde a noite da sexta-feira anterior (30), quando participou de um evento de motos.

Dentro da vala, que faz parte de uma obra da Prefeitura de São Paulo, foram encontrados pertences pessoais da vítima, como um capacete, celular, aliança, uma carteira contendo dinheiro e documentos. O corpo do empresário, que não apresentava sinais visíveis de violência, foi localizado parcialmente despido, sem calça e sem tênis.

De acordo com a diretora do Departamento de Homicídios da capital, Ivalda Aleixo, a estimativa é de que a morte tenha ocorrido entre 36 e 40 horas antes do corpo ser encontrado. A polícia trabalha com a hipótese de que Adalberto já estava morto quando foi colocado no buraco.

Na última quinta-feira (5), garis encontraram uma calça nas imediações do autódromo que pode ser a que o empresário vestia no dia do desaparecimento. A peça foi encaminhada para perícia. Na quarta (4), uma calça já havia sido localizada em uma lixeira da região, mas foi descartada após a família não reconhecer a peça como sendo de Adalberto.

Perícia em veículo levanta suspeitas

A análise do carro de Adalberto também trouxe novos desdobramentos à investigação. Em uma perícia recente, técnicos do Instituto de Criminalística localizaram manchas de sangue em pelo menos quatro áreas do veículo: ao lado da porta, no assoalho traseiro, atrás do banco do passageiro e no banco de trás. A quantidade foi considerada significativa.

Exames iniciais confirmaram que o sangue é de origem humana, mas ainda não foi possível determinar a identidade da vítima. A polícia solicitou um exame de confronto genético para verificar se o material pertence ao empresário.

Imagem: Reprodução

De acordo com o diretor do Instituto de Criminalística da Polícia Técnico-Científica, Ricardo Lopes Ortega, o corpo apresentava escoriações leves e sinais que indicam possível compressão torácica e asfixia. Exames toxicológico, anatomopatológico e subungueal (que verifica vestígios sob as unhas) ainda estão em andamento. Esses laudos serão fundamentais para esclarecer se houve luta corporal ou uso de substâncias antes da morte. Ainda não há prazo para a conclusão dos exames.

Depoimento de amigo e último contato com a esposa

Um dos últimos a ver Adalberto com vida, o amigo Rafael prestou depoimento e afirmou que, durante o evento, o empresário consumiu maconha, e cerca de oito copos de cerveja. O relato indica que, após o consumo, Adalberto ficou “alterado e bastante agitado”, especialmente durante o show do cantor Matuê, iniciado por volta das 19h45 de sexta (30).

Foi também nesse horário, às 19h40, que ocorreu o último contato entre Adalberto e a esposa, a farmacêutica Fernanda Dândalo, de 34 anos. Na madrugada seguinte, preocupada com a ausência do marido, Fernanda entrou em contato com Rafael, que relatou ter se despedido de Adalberto momentos antes. Segundo ele, o empresário mencionou que daria a volta no autódromo para buscar o carro. O ponto onde o corpo foi achado fica a cerca de 200 metros do trajeto indicado pelo empresário.

As obras no local do autódromo foram suspensas temporariamente por determinação da Prefeitura de São Paulo.

Até o momento, ninguém foi preso e a polícia ainda não aponta suspeitos.

INTERLAGOS Prefeitura de São Paulo polícia civil morte empresário Ivalda Aleixo Adalberto Amarilio dos Santos Junior

Leia também