Com apoio de 2.500 agentes, ação mirou reincidentes e desarticulou quadrilhas ligadas a tráfico, roubo e homicídios
Lívia Gennari Publicado em 30/04/2025, às 18h24
Deflagrada na última terça-feira (29) e estendida até esta quarta (30), a Operação Rastreio mobilizou mais de 2500 agentes da Polícia Civil para o cumprimento de mais de mil mandados judiciais, com foco em suspeitos reincidentes e com possível ligação a facções criminosas.
Somente na capital paulista, dezenas de equipes atuaram em bairros, após o mapeamento estratégico de endereços ligados a indivíduos com antecedentes criminais por tráfico de drogas, roubo, furto, homicídio e estupro.
Ao todo, 675 pessoas com mandados de prisão em aberto foram capturadas no estado. Segundo o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, o número “seria suficiente para lotar uma penitenciária”.
Infrações contínuas
Na região central de São Paulo, foram presos cinco integrantes de uma quadrilha envolvida no assalto a um salão de cabeleireiros de luxo nos Jardins, que gerou um prejuízo de R$ 3 milhões. Três dos detidos já tinham passagens pela polícia. O caso vinha sendo investigado desde que ocorreu, semanas atrás.
Durante a ofensiva policial, 108 pessoas foram presas em flagrante enquanto cometiam novos crimes, a maioria por tráfico de drogas.
Derrite, segue defendendo o fim das audiências de custódia no Brasil, argumentando que elas acabam facilitando a liberação de criminosos logo após a prisão, o que contribui para a reincidência criminal. Segundo Derrite, esse processo cria um ciclo de impunidade, pois muitos dos detidos são liberados e voltam a cometer crimes em pouco tempo, colocando em risco a segurança da população.
"A gente não tem dificuldade em prender quadrilhas, em prender criminosos. Nós temos dificuldades com a reincidência criminal. O trabalho da polícia é realizado de forma exemplar e diversas vezes os criminosos são levados à justiça, mas infelizmente são soltos em pouco tempo devido à fragilidade da legislação", afirmou o secretário.
A operação teve a coordenação da Delegacia Geral de Polícia e envolveu praticamente todos os setores da corporação, incluindo a Divisão de Capturas do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope).
Apesar da magnitude da operação, nem todos os 1.080 alvos foram localizados. Contudo, a Secretaria de Segurança Pública adiantou que novas fases da operação devem ocorrer nos próximos meses.