Polícia Civil pede prisão preventiva de PM que matou marceneiro na Zona Sul de SP

Investigação identifica contradições na versão do policial, descarta legítima defesa e classifica o caso como homicídio qualificado

Guilherme Dias foi baleado na cabeça após sair do trabalho - Imagem: Reprodução | Redes Sociais

Lívia Gennari Publicado em 08/08/2025, às 13h20

A Polícia Civil de São Paulo avançou nas investigações sobre a morte de Guilherme Dias Santos Ferreira, de 26 anos, atingido por um tiro na cabeça disparado pelo policial militar Fábio Anderson Pereira de Almeida, de 35 anos. O caso ocorreu na noite de 4 de julho, na Estrada Turística de Parelheiros, zona sul da capital, quando Guilherme saía do trabalho. Nesta etapa da investigação a Polícia Civil solicitou a prisão preventiva do policial, que está afastado das funções.

No relatório final do inquérito apresentado na última quarta-feira (6), os investigadores apontaram contradições na versão do PM, que afirmou ter sido assaltado por Guilherme momentos antes do disparo. A apuração mostrou que a vítima havia acabado de sair do trabalho e corria em direção ao ponto de ônibus, distante do local do suposto assalto. Além disso, Guilherme não possuía nem sabia pilotar a motocicleta citada no caso pelo PM.

De acordo com a Polícia Civil, o uso da arma de fogo pelo policial não foi legítimo, já que a vítima não representava ameaça de morte ou lesão ao agente ou a terceiros. O relatório ainda destaca que o PM conseguiu abordar o colega de trabalho de Guilherme sem necessidade de outros disparos. Diante das evidências, o caso foi reclassificado para homicídio qualificado, devido ao uso de meio que dificultou a defesa da vítima. O policial, que pagou fiança de R$ 6,5 mil e responde em liberdade, está afastado da Polícia Militar.

Agora, o Ministério Público de São Paulo deve analisar o pedido de prisão preventiva, que será posteriormente julgado pelo Tribunal de Justiça do Estado (TJSP). O caso segue sob investigação do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), com acompanhamento da Polícia Militar.

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