Diário de São Paulo
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JUSTIÇA

PMs são denunciados por execução brutal de morador de rua com tiros de fuzil

Dois policiais militares são formalmente acusados de homicídio qualificado após disparos fatais contra um homem em situação de rua em São Paulo

Abordagem de policiais militares contra morador de rua - Imagem: Reprodução / TV Globo
Abordagem de policiais militares contra morador de rua - Imagem: Reprodução / TV Globo

William Oliveira Publicado em 06/08/2025, às 11h22


A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público contra dois policiais militares envolvidos na morte de um homem em situação de rua, ocorrida com disparos de fuzil no centro da capital.

Com a decisão, os policiais Alan Wallace dos Santos Moreira, tenente da Força Tática, e Danilo Gehring foram formalmente acusados de homicídio qualificado. Segundo o promotor responsável pelo caso, o crime foi agravado por motivo torpe e pela impossibilidade de defesa da vítima, que estava rendida e não ofereceu resistência.

Imagens das câmeras corporais dos próprios agentes, divulgadas nesta semana, mostram que os PMs apresentaram versões falsas ao justificar a execução de Jeferson de Souza durante uma abordagem realizada em 13 de junho, sob o Viaduto 25 de Março.

Na ocasião, os policiais alegaram que Jeferson havia tentado reagir e tomar a arma de um deles, mas as gravações desmentem a versão: o homem aparece desarmado, acuado e sem qualquer reação quando foi alvejado.

A juíza Luciana Scorza aceitou a denúncia e já havia determinado a prisão preventiva dos acusados. A investigação aponta que Alan Wallace efetuou três disparos contra Jeferson, enquanto Danilo Gehring colaborou ativamente ao obstruir a lente da câmera para impedir o registro do ato.

Ambos seguem presos desde o mês passado e respondem também por falsidade ideológica e obstrução da Justiça. A defesa do tenente Alan alega que ele agiu em legítima defesa. Já o soldado Danilo ainda não teve representação legal identificada.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) repudiou a conduta dos policiais e confirmou a abertura de uma investigação pela Corregedoria da PM.

As imagens revelam que Jeferson foi abordado por seis agentes por volta das 20h20. Após descer de uma árvore, foi revistado sob o viaduto e levado para trás de uma pilastra, onde se sentou no chão, chorando e com as mãos para trás. Em seguida, o soldado Danilo fotografou o homem e enviou a imagem a contatos pessoais. Pouco depois, cobriu a lente da câmera com a mão. Quando o vídeo volta a exibir o local, Jeferson já está caído, com ferimentos no tórax e na cabeça.

Após o ocorrido, os PMs alegaram que a vítima era procurada por ameaças e estupro, mas não apresentaram qualquer documentação. Dois meses após o caso, a Polícia Civil ainda não havia conseguido confirmar sua identidade nem encontrar registros criminais.

Em julho, um porta-voz da Polícia Militar classificou a conduta dos policiais como "inaceitável" e "vergonhosa". As imagens contradizem completamente os relatos prestados pelos agentes, segundo o coronel responsável, que reforçou que as ações violam os princípios da corporação.

Na decisão, a juíza afirmou que Alan Wallace atirou de forma “surpreendente e injustificável” e que Danilo Gehring agiu para encobrir o crime, impedindo o registro da execução.

Entre janeiro e maio deste ano, 299 mortes foram registradas em São Paulo como resultado de intervenções policiais — ligeira queda em relação ao mesmo período do ano anterior, que teve 311. Desde janeiro, 517 policiais militares foram presos e outros 351 foram demitidos ou expulsos.


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