Grupo movimentou R$ 25 milhões e atuava em 13 estados; medicamentos eram vendidos sem receita pela internet
Lívia Gennari Publicado em 05/08/2025, às 10h21 - Atualizado às 15h14
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, na manhã desta terça-feira (5), uma grande operação contra uma organização criminosa suspeita de fabricar e comercializar ilegalmente medicamentos controlados, como anabolizantes e emagrecedores. A ação, coordenada pela 1ª Central Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Cerco), cumpre 85 mandados de busca e apreensão e 35 de prisão temporária em 13 estados do país.
De acordo com as investigações, iniciadas há cerca de um ano após uma denúncia anônima, a quadrilha operava em um laboratório clandestino e utilizava uma marca própria para fabricar medicamentos de forma irregular, sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os produtos eram vendidos pela internet a pessoas físicas, sem exigência de receita médica de controle especial, exigência obrigatória para esse tipo de substância.
As substâncias encontradas na operação são de uso controlado e, por lei, devem ser produzidas exclusivamente por laboratórios com autorização da Anvisa, além de requererem prescrição médica com receita de controle especial em duas vias. Os itens apreendidos, no entanto, eram fabricados e comercializados de forma clandestina, nas formas oral e injetável.
Quadrilha teve lucro milionário
Durante a investigação, policiais civis se infiltraram como clientes para confirmar as práticas ilegais. Houve ainda quebra de sigilo bancário e das redes sociais associadas à empresa investigada. De acordo com o delegado Ronald Quene, responsável pelo caso, os suspeitos movimentaram ao menos R$ 25 milhões em cinco anos com a venda dos produtos irregulares.
Uma das bases logísticas da organização funcionava na Zona Norte da capital paulista, onde os medicamentos eram preparados e distribuídos para diversos estados. Galpões no Paraná eram usados como pontos de armazenagem dos anabolizantes, e também estão sendo vistoriados.
Somente no estado de São Paulo, estão sendo cumpridas 57 ordens judiciais, incluindo a capital e cidades como Guarulhos, Mogi das Cruzes, Cotia, São Caetano do Sul, São José dos Campos, Jacareí, Campinas, Jundiaí, Louveira, Sumaré e São José do Rio Preto. A operação conta com o apoio de todos os Departamentos de Polícia Judiciária do estado e mobiliza 255 equipes. Fora de São Paulo, os mandados são executados no Rio de Janeiro, Paraná, Bahia, Mato Grosso, Amazonas, Espírito Santo, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
Mais de 25 pessoas já foram presas, e a operação continua em andamento. Os detidos e os materiais apreendidos na capital e na Grande São Paulo serão levados à sede da 1ª Cerco, no Centro da cidade.
A Polícia Civil reforça que o comércio de substâncias controladas fora dos parâmetros legais representa grave risco à saúde pública e seguirá atuando para coibir esse tipo de prática.