CASO THAWANNA SALMÁZIO

PM que matou mulher na Zona Leste de SP é afastada e proibida de portar arma de fogo

Justiça também determinou recolhimento domiciliar noturno, proibição de contato com testemunhas e saída da comarca sem autorização judicial

PM efetuou disparo durante abordagem que terminou em morte na Cidade Tiradentes - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 24/04/2026, às 14h38 - Atualizado às 14h52

A Justiça de São Paulo determinou o afastamento da soldado Yasmin Cursino Ferreira, de 22 anos, da Polícia Militar, além da proibição de portar arma de fogo, no âmbito da investigação sobre a morte de Thawanna Salmázio, de 31 anos, ocorrida durante uma abordagem policial na Zona Leste da capital.

A decisão, assinada pelo juiz Antônio Carlos Ponte de Souza, também impõe medidas cautelares à policial, como recolhimento domiciliar no período noturno, entre 22h e 5h, e proibição de deixar a comarca sem autorização judicial. Ela ainda está impedida de manter contato com testemunhas e familiares da vítima. O afastamento funcional já havia sido determinado anteriormente, no dia 4 deste mês.

Segundo o Ministério Público de São Paulo, o magistrado entendeu haver elementos que indicam a materialidade do crime e indícios suficientes de autoria. A ocorrência que resultou na decisão aconteceu no último dia 23, na Cidade Tiradentes, quando Thawanna foi atingida por um disparo no abdômen durante uma abordagem policial.

Entenda o caso

De acordo com a investigação, o episódio teve início na madrugada, quando a vítima caminhava com o marido e houve contato entre o braço dele e um retrovisor de uma viatura em patrulhamento. Após o ocorrido, o veículo teria dado ré e iniciado uma discussão entre os policiais e o casal.

Imagens de câmera corporal registradas no momento da ação mostram a soldado deixando a viatura e, na sequência, a vítima pedindo que ela não a apontasse. Pouco depois, ocorre o disparo que atingiu Thawanna. Ela chegou a ser socorrida, mas morreu em razão de hemorragia interna aguda, segundo laudo do Instituto Médico Legal (IML).

Em depoimento às autoridades, Yasmin afirmou ter agido em legítima defesa e disse ter utilizado força para garantir a segurança da equipe, sem detalhar o uso de arma de fogo no momento do disparo. Já o outro policial envolvido relatou que a vítima teria avançado contra a soldado, versão contestada pelo marido de Thawanna.

O companheiro da vítima, Luciano Santos, que também foi levado à delegacia, foi autuado por resistência e liberado após registro de Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). Ele nega ter reagido à abordagem e afirma que tentou socorrer a esposa após o disparo.

A Polícia Civil enquadra o caso como morte decorrente de intervenção policial. No boletim de ocorrência, consta ainda a imputação de resistência ao casal. A Secretaria da Segurança Pública informou que imagens de câmeras corporais foram recolhidas e integram a investigação, embora inicialmente o registro policial apontasse ausência desses equipamentos no momento da ocorrência.

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