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Piloto morre após reação alérgica em tradicional "banho de óleo" em escola de aviação no Paraná

Gustavo Henrique Lara, de 27 anos, teve reação anafilática após ritual que celebra o primeiro voo solo em Ponta Grossa; instrutor responsável foi preso em flagrante e liberado após pagar fiança

Centro de Instrução de Aviação Civil lamenta a morte e afirma que o incidente ocorreu fora de suas instalações após o voo - Imagem: Reprodução/

Letícia Sales Publicado em 17/07/2026, às 12h43

O engenheiro Gustavo Henrique Lara, de 27 anos, morreu na noite da última quinta-feira (16) após participar de um "banho de óleo", ritual tradicional de comemoração em escolas de aviação, em um aeroclube de Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná. A celebração aconteceu logo após a conclusão de uma etapa de sua formação aeronáutica, mas terminou com uma grave reação alérgica que ele não resistiu.

O chamado "banho de óleo" é um rito de passagem comum em escolas de pilotagem do Brasil, aplicado em alunos que atingem marcos importantes na carreira, como o primeiro voo solo, simbolizando a entrada na comunidade de pilotos. Segundo o delegado Lucas Petry, responsável pela investigação, a substância utilizada no procedimento é um óleo usado em motores de aeronaves.

Reação anafilática e três paradas cardíacas

De acordo com a polícia, após ser molhado com a substância, Gustavo apresentou grave comprometimento de saúde e foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), sendo encaminhado a um hospital. Mesmo com as tentativas de reanimação das equipes médicas, ele não resistiu.

Em depoimento à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, o Samu explicou que o piloto sofreu uma reação anafilática — a manifestação mais grave e rápida de uma alergia. Gustavo teve uma crise convulsiva seguida de três paradas cardiorrespiratórias; as duas primeiras foram revertidas pelas equipes de socorro, mas ele não resistiu à terceira.

Instrutor se apresenta e é liberado após fiança

O responsável por jogar a substância na vítima é um instrutor da escola, cujo nome não foi divulgado. Segundo a Polícia Civil, ele se apresentou espontaneamente na delegacia e foi preso em flagrante por homicídio culposo — quando não há intenção de matar. Depois de ouvido, foi liberado após pagar fiança de R$ 3 mil.

Conforme relatou à polícia, o instrutor confirmou ter jogado a substância no jovem durante a comemoração e afirmou que o banho nos formandos costuma ser aplicado do pescoço para baixo. A Polícia Civil informou que, "até o momento, não foram identificados elementos que indiquem intenção de provocar a morte da vítima".

Investigação segue em andamento

As autoridades vão apurar as circunstâncias completas do caso, incluindo a composição exata da substância utilizada, a quantidade aplicada, as regiões do corpo atingidas e a relação entre o procedimento e a morte de Gustavo. Foram solicitados exames necroscópico, toxicológico e químico-pericial para confirmar a causa do óbito. A polícia também vai analisar imagens, documentos e colher depoimentos de testemunhas, participantes do ritual e familiares da vítima.

O que diz a escola de aviação

Em nota, o Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) do Aeroclube de Ponta Grossa lamentou a morte do aluno e reforçou que o episódio ocorreu fora da área da instituição, logo após o encerramento da atividade de voo do dia. Confira a nota na íntegra:

O Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) de Ponta Grossa manifesta seu mais profundo pesar pelo falecimento do piloto Gustavo Henrique de Lara, ocorrido após a realização de seu voo solo. Esclarecemos que o lamentável fato ocorreu fora da área do CIAC, logo após o encerramento da atividade de voo da data de ontem (16). Neste momento de imensa tristeza, expressamos nossa solidariedade e nossos mais sinceros sentimentos aos familiares, amigos e a todos que conviviam com o Gustavo Lara, desejando força e serenidade para enfrentar esta irreparável perda. O CIAC de Ponta Grossa permanece à inteira disposição das autoridades competentes para colaborar com todos os esclarecimentos que se fizerem necessários, bem como para prestar o apoio cabível aos familiares, dentro de suas possibilidades. Em respeito à memória do aluno, à sua família e ao trabalho das autoridades responsáveis pela apuração dos fatos, o CIAC não fará comentários adicionais sobre o ocorrido até que as investigações sejam concluídas."
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