Nova fase da Operação Exfil cumpre mandados no Rio de Janeiro e em São Paulo e investiga acesso ilegal a sistemas da Receita Federal
Erika Osti Publicado em 01/04/2026, às 15h11
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (1°) a segunda fase da Operação Exfil para aprofundar a investigação sobre o vazamento de dados fiscais de ministros do Supremo Tribunal Federal e de seus familiares. A ação resultou no cumprimento de um mandado de prisão e seis de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo, com autorização do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso na Corte.
Segundo a PF, os investigados são suspeitos de acessar de forma irregular sistemas da Receita Federal para obter informações sigilosas e, posteriormente, comercializá-las. A apuração busca identificar a extensão do esquema, possíveis beneficiários e o caminho percorrido pelos dados vazados.
Esta etapa é um desdobramento da primeira fase da operação, realizada em fevereiro, quando servidores públicos e auditores da Receita foram alvo das investigações. Na ocasião, a Justiça determinou medidas cautelares contra os envolvidos, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, afastamento das funções públicas, cancelamento de passaportes e proibição de deixar o país.
A Polícia Federal não divulgou os nomes dos investigados nem detalhou os valores envolvidos, mas informou que as diligências continuam para reunir provas e esclarecer o funcionamento do esquema. O caso é tratado como grave por envolver a violação de dados protegidos por sigilo fiscal e por atingir autoridades do mais alto escalão do Judiciário.
A operação dá continuidade à primeira fase, realizada em fevereiro, quando a investigação passou a mirar diretamente servidores e auditores da Receita Federal suspeitos de participação no acesso indevido aos dados. Na ocasião, a Justiça determinou uma série de medidas cautelares para conter a atuação do grupo, como o afastamento das funções públicas, uso de tornozeleira eletrônica e restrições de deslocamento, indicando já naquele momento indícios consistentes de um esquema estruturado dentro do órgão incluindo bloqueio de bens e análise de movimentações financeiras suspeitas.