Crime Organizado

PCC mantinha central clandestina de criptomoedas avaliada em R$ 1,9 milhão na zona sul de SP

PM desarticulou a operação durante patrulhamento na comunidade Archipenko, na Vila Andrade

Centros de mineração clandestina têm sido identificados em áreas sob influência do PCC, dificultando rastreamento financeiro - Imagem: Reprodução/G1/Polícia Militar

Gabriela Nogueira Publicado em 27/06/2026, às 12h17

Uma central clandestina de mineração de criptomoedas foi descoberta pela Polícia Militar na noite de sexta-feira (26), na Vila Andrade, na zona sul da capital paulista. Segundo a corporação, há indícios de que a estrutura estaria ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e poderia ser utilizada para movimentação e ocultação de valores provenientes de atividades ilícitas. Ninguém foi preso durante a ocorrência.

A localização do imóvel ocorreu durante patrulhamento realizado por equipes da Companhia de Ações Especiais de Polícia (Caep) do 16º Batalhão. Os policiais perceberam a presença de tubulações de grande porte instaladas na parte externa de uma residência na Rua Campo Novo do Sul, o que despertou suspeitas sobre o funcionamento do local.

Com autorização do proprietário, os agentes entraram no imóvel e encontraram, em um pavimento superior, uma estrutura composta por 13 equipamentos destinados à mineração de criptomoedas. As máquinas funcionavam em um ambiente adaptado com sistema de ventilação e tubulações para resfriamento, alimentado por uma ligação irregular de energia elétrica.

O morador afirmou aos policiais que apenas alugava o espaço para terceiros e que não tinha participação nas atividades desenvolvidas no local. Ele foi encaminhado ao 89º Distrito Policial para prestar esclarecimentos e acabou liberado após ser ouvido.

De acordo com estimativas da Polícia Militar, os equipamentos apreendidos podem ter valor de mercado entre R$ 650 mil e R$ 1,9 milhão. A corporação avalia que a interrupção da operação clandestina pode representar prejuízos expressivos aos responsáveis pela estrutura.

Investigadores apontam que instalações semelhantes têm sido identificadas com maior frequência em áreas sob influência do PCC. A suspeita é de que esses centros sejam empregados para converter recursos obtidos com o tráfico de drogas e outros crimes em ativos digitais, dificultando o rastreamento financeiro pelas autoridades.

Em maio deste ano, outra estrutura voltada à mineração de criptomoedas foi localizada em Paraisópolis, também na zona sul da cidade. Na ocasião, a polícia informou que o funcionamento das máquinas dependia do furto de energia elétrica, gerando perdas mensais significativas.

polícia PCC Mineração CRIPTOMOEDAS São Paulo Tráfico Paraisópolis vila andrade

Leia também