Fraude milionária

Operação revela esquema de fraudes no INSS e uso de dinheiro ilícito para compra de bens de luxo

Investigação da Polícia Federal aponta advogada como peça-chave em organização criminosa que desviava recursos de aposentadorias

As autoridades seguem investigando o fluxo financeiro para identificar outros participantes e avaliar o impacto nas finanças públicas - Imagem: Reprodução

Letícia Sales Publicado em 17/03/2026, às 11h54

Uma operação deflagrada nesta terça-feira (17) expôs um esquema nacional de fraudes envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. A ação, conduzida pela Polícia Federal em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), tem como um dos principais alvos a advogada Cecília Rodrigues Mota, apontada como uma das líderes do grupo criminoso.

De acordo com decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a advogada atuava para dar aparência de legalidade às fraudes, além de coordenar operações financeiras ilícitas e intermediar contatos com agentes públicos.

As investigações indicam que recursos obtidos ilegalmente foram utilizados para beneficiar diretamente o marido de Cecília, Charles Góes Freitas. Ele teria recebido cerca de R$ 2 milhões em menos de três anos, além de um veículo de luxo, um Ford Mustang Mach-E GT, avaliado em aproximadamente R$ 400 mil.

A Operação Indébito também teve como alvo a deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB-CE), que foi submetida a mandados de busca e apreensão e deverá usar tornozeleira eletrônica. Outras prisões atingiram o empresário Natjo de Lima Pinheiro e a própria advogada, apontados como operadores centrais do esquema.

Segundo a apuração, o grupo utilizava “testas de ferro” para movimentar recursos e ocultar a origem do dinheiro. A fraude consistia na inserção de dados falsos em sistemas oficiais para viabilizar descontos indevidos diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas.

Ao todo, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão, além de prisões e outras medidas cautelares no Distrito Federal e no Ceará. A operação é um desdobramento da Operação Sem Desconto e busca aprofundar a investigação sobre o alcance do esquema, que pode ter atingido vítimas em diversas regiões do país.

Os envolvidos podem responder por organização criminosa, estelionato previdenciário e lavagem de dinheiro. As autoridades continuam analisando o fluxo financeiro para identificar outros participantes e dimensionar o prejuízo causado aos cofres públicos e aos beneficiários.

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