Roubo nos trilhos

Operação policial mira quadrilha que furtava cargas de trem no interior de SP

Ação do Departamento Estadual de Investigações Criminais revela esquema estruturado com divisão de tarefas para desvio e revenda de mercadorias

A operação ainda está em andamento e novas prisões podem ocorrer, enquanto a polícia investiga outros possíveis envolvidos - Imagem: Divulgação/DEIC

Letícia Sales Publicado em 17/03/2026, às 11h16

Uma operação realizada na manhã desta terça-feira (17) pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) teve como alvo uma quadrilha especializada em furtos de carga em vagões de trem no município de Aguaí, no interior paulista.

Batizada de Operação Ouro Branco, a ação é conduzida pela 2ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Furtos, Roubos e Receptações de Veículos e Cargas (Divecar). Ao todo, participam da ofensiva 29 policiais civis e 10 viaturas, com o objetivo de cumprir quatro mandados de prisão temporária e 11 de busca e apreensão.

Segundo as investigações, o grupo criminoso atuava de forma organizada e com funções bem definidas. Os alvos principais eram cargas de açúcar e farelo de soja transportadas por trens que seguiam em direção ao Porto de Santos.

De acordo com a polícia, a quadrilha se dividia em quatro núcleos. A chamada “equipe de vandalismo” era responsável por sabotar os trens, cortando mangueiras de ar para forçar a parada das composições e rompendo lacres dos vagões. Em seguida, lançavam a carga nos trilhos.

Na sequência, entrava em ação a “equipe de coleta”, que recolhia rapidamente o material e o ensacava. A carga era então levada para áreas próximas, muitas vezes em regiões de mata, para facilitar o transporte posterior.

O esquema contava ainda com intermediários, responsáveis pela logística e ocultação dos produtos, além de receptadores, que faziam a limpeza, reembalagem e inserção da mercadoria no mercado por meio de notas fiscais fraudulentas.

As cargas furtadas eram armazenadas em galpões e sítios da região antes de serem revendidas. A investigação aponta que o esquema causava prejuízos milionários anuais.

Os crimes ocorriam em trechos operados pela concessionária Ferrovia Centro-Atlântica, responsável pela malha ferroviária na região.

A operação segue em andamento, e a polícia não descarta novas prisões. As autoridades também apuram a possível participação de outros envolvidos no esquema.

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