Um suspeito morreu e um policial ficou ferido em confronto; Justiça decretou nove prisões e bloqueou imóveis de luxo ligados a investigados
Lívia Gennari Publicado em 30/10/2025, às 12h32 - Atualizado às 17h58
O Ministério Público e a Polícia Militar deflagraram, na manhã desta quinta-feira (30), uma grande operação contra um esquema de lavagem de dinheiro associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Campinas e pelo 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), cumpre mandados em cidades do interior de São Paulo e resultou em confrontos, prisões e bloqueio de bens de alto valor.
Dos nove mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça, seis foram cumpridos. Foram presos Eduardo Magrini, conhecido como “Diabo Loiro”; Sérgio Luiz de Freiras Neto, filho de “Mijão”; Renan Ferraz Castelhano; Maurício Conti; e Bárbara Batista Borges.
Três investigados continuam foragidos, entre eles Sérgio Luiz de Freitas Filho, o “Mijão”, também conhecido como “Xixi” ou “2X”, apontado como um dos principais chefes em liberdade do PCC, Álvaro Daniel Roberto, o “Caipira”, outro investigado ligado ao tráfico internacional de drogas e Ronaldo Alexandre Vieira.
Durante o cumprimento dos mandados, houve troca de tiros entre policiais e um dos suspeitos. O homem morreu no local, e um policial militar foi baleado e levado ao Hospital de Clínicas da Unicamp, em Campinas.
Além das prisões, a Justiça determinou 11 mandados de busca e apreensão, o bloqueio de 12 imóveis de luxo e o congelamento de contas bancárias. As ações ocorreram em condomínios de alto padrão, como Alphaville, Entreverdes, Jatibela e Swiss Park, além de imóveis em Mogi Guaçu e Artur Nogueira, no interior paulista.
Chefes do PCC na mira
Entre os investigados estão empresários, agiotas e até influenciadores digitais suspeitos de colaborar com o grupo criminoso. Um dos alvos é Eduardo Magrini, o “Diabo Loiro”, apontado como integrante de alto escalão do PCC. Apesar de ostentar uma vida de luxo nas redes sociais, onde se apresenta como produtor rural e influenciador, Magrini tem histórico de envolvimento com homicídio, formação de quadrilha, receptação e falsificação de documentos.
A operação também mira “Caipira”, acusado de comandar uma rota internacional de tráfico conhecida como “Rota Caipira”, responsável por transportar cocaína do Paraguai e da Bolívia até a Europa, passando por São Paulo. Segundo o Ministério Público, ele mantém laços com o narcotraficante colombiano Juan Carlos Abadia e com o Cartel do Vale do Norte. As investigações indicam que tanto “Mijão” quanto “Caipira” estariam escondidos na Bolívia.
Ação deriva de investigação que frustrou atentado do PCC contra promotor
A operação é um desdobramento das ações “Linha Vermelha” e “Pronta Resposta”, realizadas em agosto, que desarticularam um plano do PCC para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, em Campinas.
A partir do material apreendido na época, promotores e policiais descobriram um novo braço financeiro da facção, com transações destinadas a ocultar o lucro obtido com o tráfico de drogas por meio de empresas de fachada e investimentos em atividades aparentemente legais.
O Gaeco informou que as investigações continuam para rastrear o patrimônio dos envolvidos e identificar outros possíveis colaboradores do esquema.