Ação da PM em Santa Teresa resulta em mortes e confronto com traficantes; veículo queimado serve de barricada para dificultar acesso da polícia.
Ana Beatriz Publicado em 18/03/2026, às 13h57
Na manhã desta quarta-feira (18), um ônibus foi incendiado por traficantes do Comando Vermelho (CV) na Avenida Paulo de Frontin, perto do acesso ao Túnel Rebouças, na região central do Rio de Janeiro. O ataque ao veículo ocorreu logo após a morte de Cláudio Augusto dos Santos, de 55 anos, conhecido como Jiló dos Prazeres, traficante chefe do Morro dos Prazeres, em uma troca de tiros com a Polícia Militar (PM).
O incêndio foi uma ação coordenada dos criminosos, que usaram o ônibus como uma barricada para dificultar o acesso da polícia ao local. A operação de segurança na região de Santa Teresa e nas favelas vizinhas, como Fallet, Fogueteiro, Coroa, Escondidinho e Paula Ramos, resultou em um confronto violento e na morte de outras sete pessoas. A PM vinha realizando uma operação de grande escala na região, com o objetivo de desarticular o tráfico de drogas e prender os principais líderes da facção criminosa.
Jiló dos Prazeres era um nome conhecido no tráfico de drogas e respondia a diversos crimes, incluindo homicídio, sequestro e cárcere privado, além de ser um dos responsáveis pelo tráfico de drogas na área. Sua morte, segundo especialistas, é um golpe significativo para a facção, mas a violência nas ruas do Rio continua a ser alimentada por outros líderes do grupo.
O que aconteceu durante a operação
A operação na manhã de quarta-feira é um desdobramento de ações que ocorreram na terça-feira (17), quando a PM havia expedido 28 mandados de prisão contra membros do Comando Vermelho. A troca de tiros com os traficantes começou durante uma tentativa de abordagem na favela do Fallet, um dos principais redutos da facção, e se espalhou pelas favelas próximas. A morte de Jiló dos Prazeres representa uma vitória para as forças de segurança, mas a resistência dos traficantes e a contínua violência nas favelas complicam a tarefa de pacificação dessas áreas.
O ônibus incendiado foi usado pelos criminosos como uma tática para barrar a entrada da polícia na região. A PM e o Corpo de Bombeiros conseguiram controlar o incêndio, mas a situação na zona norte e centro da cidade continua tensa. Além do transporte incendiado, os criminosos tentaram estabelecer mais barricadas com outros veículos nas vias principais, evidenciando o grau de organização e o uso de táticas de guerrilha urbana por parte do tráfico.
Alvo da operação: Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o "Abelha"
A operação focava em capturar Wilton Carlos Rabello Quintanilha, também conhecido como Abelha, um dos principais líderes do Comando Vermelho e um dos criminosos mais procurados do Rio. Abelha é apontado como um dos responsáveis pelo tráfico de drogas e pela violência na região do Morro dos Prazeres. Ele é considerado um dos homens mais influentes da facção criminosa e se encontra foragido após a ação policial. As autoridades acreditam que sua captura seria um marco importante na redução do tráfico de drogas e da violência no Rio de Janeiro.
A ofensiva da PM é parte de uma série de medidas de combate ao tráfico de drogas nas comunidades cariocas, mas a presença de facções como o Comando Vermelho e o Comando de Tráfico do Morro do Alemão continua a desafiar as autoridades. A integração de forças de segurança e ações coordenadas com a Controladoria-Geral da União (CGU) têm sido necessárias para tentar reverter o cenário de insegurança.
Impacto na segurança pública
Os eventos recentes trazem à tona o contínuo desafio enfrentado pelo estado do Rio de Janeiro no combate ao tráfico de drogas e à violência urbana. O uso de veículos incendiados como barricadas, além de gerar cenas de caos, também revela a disposição dos traficantes em enfrentar as forças de segurança com medidas desesperadas.
A morte de Jiló dos Prazeres e o confronto em Santa Teresa mostram que, embora a PM tenha alcançado vitórias, o Comando Vermelho ainda tem uma rede de aliados e recursos, o que dificulta a pacificação das áreas dominadas pelo tráfico. A captura de Abelha e outros líderes do tráfico é vista como crucial para enfraquecer a facção e reduzir o número de ataques e confrontos nas comunidades cariocas.