Mulher é torturada por 12 horas e tatuada à força pelo namorado no interior de SP

Vítima conseguiu escapar após agressor adormecer; suspeito foi preso e caso é investigado como tentativa de feminicídio

Vítima teve siglas e datas tatuadas sem consentimento durante sessão de violência - Imagem: Reprodução | Polícia Civil

Lívia Gennari Publicado em 26/04/2026, às 16h19

Um homem foi preso após torturar e tatuar à força a companheira de 28 anos em Itapetininga, no interior de São Paulo. Segundo a Polícia Civil, a vítima foi mantida amarrada dentro de casa por aproximadamente 12 horas e submetida a uma sequência de agressões físicas e psicológicas. Conforme a apuração policial, o suspeito atacou a mulher enquanto ela dormia e passou a agredi-la com socos, facas, cordas e outros objetos. 

O casal manteve um relacionamento por 11 anos, encerrado anteriormente e retomado após promessas de mudança por parte do suspeito. No entanto, a violência voltou a acontecer. Conforme relato da defesa da vítima, as agressões começaram enquanto a mulher estava adormecida, quando levou socos no rosto e teve um piercing arrancado com um alicate.

Depois disso, segundo o advogado da vítima, a mulher foi imobilizada com cordas e passou a ser submetida a sucessivas sessões de violência física e psicológica. O agressor teria usado facas, seringas, agulhas, bisturi e um aparelho de barbear descartável para feri-la. Ela foi marcada com tatuagens forçadas, incluindo siglas ligadas ao ex-companheiro dela e datas aleatórias. O advogado da vítima afirma que o suspeito agiu por ciúme.

Tatuagens feitas à força pelo agressor | Imagem: Reprodução

Além da violência física, a defesa relata episódios de tortura psicológica. O agressor teria comprado pizzas e obrigado a vítima, que estava com fome e desidratada, observá-lo comer enquanto seguia amarrada. Em outro momento, segundo o relato, ela foi estrangulada com uma gravata até desmaiar.

A fuga só aconteceu quando o agressor adormeceu sob efeito de medicamentos. A mulher conseguiu sair da casa, pedir ajuda ao irmão e registrar a ocorrência. Ela precisou ser internada novamente em uma unidade de saúde após apresentar problemas respiratórios, além de hematomas extensos e ferimentos no rosto. O delegado responsável pelo caso, Franco Augusto Costa Ferreira, afirmou que a jovem apresentava sinais severos de violência e anemia quando foi levada pelo irmão até a delegacia.

No imóvel onde o crime ocorreu, localizado na região central da cidade, os policiais encontraram a cama com manchas de sangue, e os objetos que teriam sido usados nas agressões. Também foram localizados estimulantes sexuais.

Após audiência de custódia realizada na última quinta-feira (23), a prisão em flagrante foi convertida em preventiva.  Imagens registraram o momento em que o agressor foi detido. 

A polícia informou ainda que a jovem sofreu lesões graves, incluindo ferimentos íntimos provocados por objeto metálico.  Com isso, o caso também pode ser enquadrado como estupro, por envolver ato libidinoso sem consentimento, além de violência doméstica. O homem foi transferido para a Penitenciária II de Sorocaba, onde ficará à disposição da Justiça.

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