Júri popular decidiu inocentar ré que confessou crime após alegar que vítima teria assediado sua filha; caso gerou forte repercussão e debate jurídico
Ana Beatriz Publicado em 24/03/2026, às 22h28
Uma mulher de 42 anos foi absolvida pelo Tribunal do Júri em Belo Horizonte (MG) após ser acusada de matar o companheiro e mutilar o corpo da vítima, em um caso que ganhou repercussão nacional pela violência e pela motivação alegada. A decisão foi tomada por maioria dos jurados nesta semana e encerra, ao menos nesta fase, um dos episódios mais impactantes julgados recentemente pela Justiça mineira.
O crime ocorreu em março de 2025, no bairro Taquaril, na capital mineira. Segundo a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais, a mulher teria dopado o companheiro com medicamentos e bebida alcoólica antes de cometer o homicídio. De acordo com a investigação, após a vítima perder a consciência, ela foi agredida com golpes na cabeça e, posteriormente, levada a uma área de mata, onde teve o órgão genital mutilado e o corpo incendiado.
Ainda conforme a acusação, a ação contou com a participação de um adolescente, o que levou à inclusão do crime de corrupção de menor na denúncia. O Ministério Público sustentou que o homicídio foi cometido com extrema violência, com agravantes como meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima.
Durante o processo, a mulher confessou o crime, mas afirmou ter agido após suspeitar que o companheiro havia assediado sua filha, à época com 11 anos. Essa alegação foi central para a estratégia da defesa, que buscou convencer os jurados de que a ação ocorreu em um contexto de forte abalo emocional e motivação ligada à proteção da filha.
Julgamento e absolvição
O julgamento ocorreu no Tribunal do Júri, responsável por analisar crimes dolosos contra a vida. Após a apresentação das provas e dos argumentos de acusação e defesa, os jurados decidiram absolver a ré de todas as acusações.
A decisão indica que o conselho de sentença não considerou configurados os elementos necessários para condenação, o que pode envolver fatores como legítima defesa, ausência de dolo ou entendimento de circunstâncias atenuantes.
O caso chama atenção porque, mesmo diante da gravidade dos fatos descritos na denúncia, o júri optou pela absolvição, reforçando o papel soberano dos jurados nas decisões desse tipo de julgamento.
Repercussão e debate jurídico
A absolvição gerou repercussão e abriu debate entre especialistas sobre os limites da legítima defesa e a influência de fatores emocionais em crimes violentos.
Juristas apontam que, em julgamentos pelo Tribunal do Júri, aspectos subjetivos — como contexto familiar, motivação e percepção moral dos jurados — podem ter peso significativo na decisão final.
O caso também reacende discussões sobre violência doméstica, proteção de menores e a resposta do sistema de Justiça em situações envolvendo suspeitas de abuso.
Próximos passos
Apesar da absolvição, o Ministério Público ainda pode avaliar a possibilidade de recurso, dependendo da análise da decisão e dos fundamentos utilizados no julgamento.
Enquanto isso, o caso segue como um dos mais emblemáticos julgados recentemente em Minas Gerais, tanto pela brutalidade quanto pelo desfecho judicial.