MEGAOPERAÇÃO

Moradores carregam corpos após operação policial mais letal do RJ; governador define ação como “sucesso”

Nesta quarta-feira (29), moradores do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, carregaram pelo menos 74 corpos após a ação da polícia

Corpos são levados para praça na Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro - Imagem: Reprodução / Betinho Casas Novas / g1

William Oliveira Publicado em 29/10/2025, às 12h33 - Atualizado às 16h20

Na madrugada desta quarta-feira (29), moradores do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, transportaram pelo menos 74 corpos para a Praça São Lucas, localizada na Estrada José Rucas, uma das vias mais movimentadas da região. A ação ocorreu um dia após a operação policial mais letal já registrada no estado.

A operação, iniciada na terça-feira (28), contabilizou 121 mortes, sendo quatro de policiais e os demais 117 suspeitos de envolvimento com o crime organizado. A informação foi confimada nesta tarde pelo delegado Felipe Curi, secretário da Polícia Civil.

Inicialmente, o governo havia divulgado um balanço de 64 mortes, incluindo quatro policiais civis e militares. Contudo, na manhã desta quarta, o governador Cláudio Castro (PL-RJ) confirmou oficialmente apenas 58 mortes, das quais 54 foram identificadas como criminosos, entretanto a razão para a discrepância nos números ainda não foi esclarecida.

Os corpos levados à praça por moradores não estavam incluídos nas estatísticas oficiais. Segundo o secretário da Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes Nogueira, a contagem inicial não considerava os casos reportados pela comunidade. Uma perícia será realizada para apurar a relação entre essas mortes e a operação policial.

Informações adicionais indicam que todos os corpos encontrados eram de homens e estavam em uma área de mata na Vacaria, na Serra da Misericórdia, palco de intensos confrontos entre forças de segurança e traficantes.

O governador Cláudio Castro classificou a ação como um “sucesso”, enfatizando que apenas os quatro policiais mortos devem ser considerados vítimas.

"Nossa contabilidade conta a partir do momento em que os corpos entram no IML. A Polícia Civil tem a responsabilidade enorme de identificar quem eram aquelas pessoas. Eu não posso fazer balanço antes de todos entrarem", declarou Castro à imprensa.
O governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro - Imagem: Reprodução / Agência Brasil / Tânia Rêgo

 

Relatos sobre os corpos indicam que muitos apresentavam ferimentos por arma de fogo, alguns com o rosto desfigurado. Um dos cadáveres foi encontrado decapitado, embora as circunstâncias ainda sejam desconhecidas.

Em suas declarações públicas, Castro reafirmou sua defesa das ações durante a megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão.

"Temos muita tranquilidade de defendermos tudo que fizemos ontem. Queria me solidarizar com a família dos quatro guerreiros que deram a vida para salvar a população. De vítima ontem lá, só tivemos esses policiais", afirmou.

O governador também sustentou que os 54 mortos eram criminosos, argumentando que os confrontos ocorreram exclusivamente em áreas de mata: "Não acredito que havia alguém passeando em área de mata em um dia de operação".

Policiais mortos

Durante a operação de grande escala nos complexos do Alemão e da Penha, quatro policiais — sendo 2 civis e 2 militares — acabaram morrendo. Os agentes mortos durante os confrontos foram:

  1. Cleiton Serafim Gonçalves, 42 anos, 3º sargento do BOPE. Ingressou na corporação em 2008 e deixa esposa e uma filha.
  2. Heber Carvalho da Fonseca, 39 anos, 3º sargento do BOPE. Atuava como policial desde 2011 e deixa esposa, dois filhos e um enteado.
  3. Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, 51 anos, comissário da 53ª DP (Mesquita), conhecido como “Máskara”, devido à semelhança com o personagem. Com 26 anos de carreira na Polícia Civil, Marcus havia sido promovido apenas um dia antes da operação.
  4. Rodrigo Velloso Cabral, 34 anos, lotado na 39ª DP (Pavuna). Com menos de dois meses de serviço, atuava em uma das áreas mais perigosas da Zona Norte.
Quatro policiais morrem em megaoperação contra CV no Rio - Imagem: Reprodução / Globo News

 

Durante a operação, Marcus Vinícius e Rodrigo Cabral foram atingidos durante a abordagem ao Complexo da Penha, quando traficantes reagiram disparando tiros e erguendo barricadas em chamas. Ambos foram socorridos e encaminhados ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, mas não resistiram aos ferimentos.

Os sargentos Cleiton Gonçalves e Heber Fonseca foram atingidos em confrontos na Vila Cruzeiro enquanto as tropas avançavam pela comunidade.

Além das mortes, o delegado-adjunto da DRE, Bernardo Leal, ficou gravemente ferido e passou por cirurgia; seu estado de saúde é considerado grave.

A operação 

Batizada de Operação Contenção, a ação resultou de mais de um ano de investigações da DRE. O trabalho possibilitou à Justiça expedir 100 mandados de prisão contra membros do Comando Vermelho (CV), incluindo cerca de 30 foragidos de outros estados, entre eles integrantes da facção no Pará que estavam escondidos nas comunidades cariocas.

A Secretaria de Estado de Polícia Civil informou que a operação mobilizou cerca de 2.500 agentes e se concentrou na desarticulação dos núcleos de comando e do fluxo financeiro da facção. De acordo com o balanço oficial, 113 pessoas foram presas.

Confira imagens da operação:

Atenção muito tiros no complexo do alemão pic.twitter.com/EDHaWsotdF

— inhaumaNoticias (@inhaumanoticias) October 28, 2025

RIO - Megaoperação das polícias Civil e Militar mobiliza 2,5 mil agentes no Complexo do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, visando desmantelar o Comando Vermelho, nesta terça-feira(28).
Traficantes lançaram granadas por drones, resultando em quatro mortos e 22 presos. pic.twitter.com/m8jjs8O1oB

— 𝕀𝕟𝕥𝕖𝕣𝔽𝕒𝕥𝕠𝕤 (@inter_fatos) October 28, 2025
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