INVESTIGAÇÃO

Justiça mantém prisão de MC Poze por apologia ao crime e ligação com o CV

Artista foi detido durante uma operação policial no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste do Rio

Cantor passou por audiência de custódia e deve continuar preso - Imagem: Reprodução / Agência O Globo / Gabriel de Paiva

William Oliveira Publicado em 30/05/2025, às 09h17

Na última quinta-feira (29), o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) decidiu manter a prisão do cantor MC Poze do Rodo, investigado por apologia ao crime e suposta associação com a facção Comando Vermelho (CV). O artista foi detido durante uma operação policial no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste do Rio.

Segundo informações do SBT News, a prisão de Marlon Brandon Coelho Couto Silva, nome de batismo do cantor, foi confirmada em audiência de custódia. A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP) informou que ele foi inicialmente encaminhado ao Presídio José Frederico Marques, em Benfica, zona norte da capital, e posteriormente transferido para a Penitenciária Dr. Serrano Neves, no Complexo de Gericinó (Bangu 3A), unidade com forte influência do CV.

Durante a ação policial, foram apreendidos bens de alto valor na residência do funkeiro, incluindo um BMW X6 vermelho avaliado em cerca de R$ 1,3 milhão, joias e artigos de grife.

As investigações apontam que MC Poze realizava shows em áreas controladas pelo Comando Vermelho, com apoio armado de traficantes, o que, segundo a Polícia Civil, visava alavancar os lucros da facção com o tráfico de drogas. Ainda conforme os investigadores, as letras de suas músicas promovem o tráfico e a violência, incitando conflitos entre grupos rivais, o que configuraria crime de apologia ao crime e associação para o tráfico, extrapolando os limites da liberdade artística.

Durante os procedimentos após a prisão, Poze teria admitido vínculos com o Comando Vermelho, informação considerada na sua alocação no sistema prisional. Interrogatórios sobre vínculos com facções são comuns no estado, visando evitar confrontos dentro das penitenciárias.

Além disso, MC Poze também é alvo de outra investigação, conduzida pela 42ª Delegacia de Polícia (Recreio), por suspeita de tortura e cárcere privado. Um homem denunciou ter sido agredido dentro da casa do cantor após ser acusado de furtar um bracelete. A vítima afirma ter sido mantida em cárcere e espancada por Poze e amigos. Apesar do pedido de prisão nesse caso, a Justiça negou a solicitação. O cantor preferiu não se manifestar no interrogatório.

Mesmo com a negativa da Justiça nesse episódio, a prisão de Poze foi mantida por outros crimes, como apologia ao tráfico e vínculo com organização criminosa, dentro de uma ampla investigação sobre a atuação de artistas ligados a facções no Rio de Janeiro.

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