Operação Exchange

Justiça manda soltar mulher sancionada pelos EUA por suspeita de ligação com o PCC

Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira foi presa em ação da Polícia Federal contra um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico internacional de drogas. Empresário apontado como elo financeiro do grupo segue foragido.

Stella Stefanie é apontada pelos EUA como associada próxima de Victor Shimada, empresário sancionado por suposta ligação financeira com o PCC - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Silva Publicado em 08/07/2026, às 11h20

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A Justiça Federal em Santos determinou a soltura de parte dos investigados presos na Operação Exchange, ação deflagrada pela Polícia Federal para desarticular um suposto esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao Primeiro Comando da Capital, o PCC. Entre os beneficiados pela decisão está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, apontada pelas autoridades dos Estados Unidos como associada próxima e parente do empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada.

Stella havia sido presa na sexta-feira, 3 de julho de 2026, durante a operação da PF. A decisão pela soltura foi tomada pela 7ª Vara Federal Criminal de Santos, que entendeu não haver motivos para manter as prisões temporárias de parte dos investigados. O único alvo que segue com mandado de prisão ativo é Victor Shimada, considerado foragido e com prisão convertida em preventiva.

A Operação Exchange mira uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. Segundo a Polícia Federal, a análise preliminar identificou movimentações superiores a R$ 10 bilhões. A Justiça também determinou o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o limite de R$ 10,4 bilhões.

A investigação aponta que o grupo utilizava uma estrutura financeira sofisticada para movimentar recursos de origem suspeita. Entre os mecanismos citados estão transferências de criptoativos, transporte de valores em espécie, operações bancárias de alto volume, repasses entre pessoas físicas e jurídicas e uso de empresas para circular dinheiro no sistema financeiro.

A ação ocorreu apenas dois dias depois de o governo dos Estados Unidos anunciar sanções contra brasileiros e empresas apontados como integrantes de uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao PCC. O Departamento do Tesouro americano incluiu Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira e Victor Henrique de Oliveira Shimada na lista do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros, conhecido como OFAC.

Com a sanção, bens e interesses das pessoas e empresas designadas que estejam em território americano ou sob controle de cidadãos dos Estados Unidos ficam bloqueados. A medida também restringe transações envolvendo os alvos sancionados dentro da jurisdição americana.

Segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, Victor Shimada seria um elo entre operadores do PCC na Flórida e traficantes estrangeiros. As autoridades americanas afirmam que ele e sua rede teriam lavado mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos gerados em cidades dos Estados Unidos, utilizando criptomoedas para transferir valores de volta ao Brasil.

Stella é descrita pelo governo americano como associada próxima e parente de Shimada. Ainda de acordo com as autoridades dos EUA, ela teria trabalhado como secretária dele e atuado como intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro, prestando apoio logístico às operações financeiras atribuídas à rede.

As empresas Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobrança e Tecnologia Ltda., Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda., Wave Construções Inteligentes Ltda. e a portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda. também aparecem entre os alvos citados pelas autoridades americanas. O governo dos EUA afirma que essas empresas teriam sido usadas para apoiar a movimentação financeira do grupo.

A investigação brasileira também ganhou contornos diplomáticos e operacionais. Segundo a Reuters, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que a divulgação das sanções pelos Estados Unidos acabou acelerando a operação no Brasil e pode ter prejudicado a captura de um dos alvos. Victor Shimada, apontado como principal nome do núcleo financeiro investigado, segue foragido.

A defesa de Shimada e Stella informou, segundo veículos que acompanham o caso, que analisará a decisão judicial e adotará as medidas jurídicas cabíveis. Em manifestações anteriores, a defesa de Shimada negou envolvimento com organização criminosa e lavagem de dinheiro. O caso segue em investigação, e os citados devem ser tratados como suspeitos até decisão definitiva da Justiça.

A Operação Exchange amplia a ofensiva contra estruturas financeiras usadas pelo crime organizado e expõe uma nova frente de preocupação das autoridades: o uso de empresas, criptoativos, contas bancárias e transações internacionais para ocultar a origem de recursos ligados ao tráfico. Para investigadores, o combate ao PCC já não passa apenas por apreensão de drogas e prisões de operadores armados, mas também pelo rastreamento de fluxos bilionários que sustentam a atuação da facção dentro e fora do Brasil.

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