Após dois dias de julgamento, Paulo Cupertino é condenado por matar Rafael Miguel e seus pais em 2019
Redação Publicado em 31/05/2025, às 09h02
Após dois dias de julgamento, o Tribunal do Júri sentenciou Paulo Cupertino Matias a 98 anos de prisão. A decisão, proferida na noite da última sexta-feira (30), condena o comerciante pelo brutal assassinato do ator Rafael Miguel e de seus pais, João Alcisio Miguel e Miriam Selma da Silva, em um caso que comoveu o Brasil. Outros dois réus, que também eram acusados de participação no crime, foram absolvidos durante o processo.
Rafael Miguel, conhecido por seu trabalho na novela "Chiquititas", foi morto a tiros em 9 de junho de 2019. Na época, ele namorava Isabela Tibcherani Matias, que é filha de Paulo Cupertino. Os pais do jovem ator também foram baleados e não resistiram aos ferimentos.
Motivação e dinâmica do crime
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) sustentou que Cupertino agia com comportamento possessivo em relação à filha e não aceitava o relacionamento dela com Rafael. No dia do crime, Isabela encontrou-se com o ator em uma praça perto de sua casa, na zona sul da capital. Ao chegar em casa e não encontrar a filha, Cupertino exigiu que sua esposa ligasse para ela. Vanessa Tibcherani de Camargo tentou contato com Isabela sem sucesso, e acabou ligando para Rafael, que estava com os pais.
Ao encontrarem o casal, os pais de Rafael decidiram levar Isabela de volta para casa e aproveitar a chance para conversar com Paulo Cupertino sobre o namoro. Conforme os autos do processo, ao chegarem à residência do comerciante, todos foram alvo de, pelo menos, 13 disparos fatais. Após os assassinatos, Cupertino fugiu e ficou foragido por cerca de três anos, até ser capturado em 2022.
Promotoria destaca caráter e violência passada
Durante o julgamento, o promotor Thiago Marin descreveu Cupertino como alguém de "caráter repugnante", argumentando que suas ações foram impulsionadas por ódio à família do ator. Marin ainda mencionou que Cupertino havia demonstrado interesse em levar a filha para testes na televisão.
O promotor também comentou sobre o período em que o réu esteve foragido, utilizando vários disfarces para escapar da polícia. "Ele mudou tudo, menos seu caráter", enfatizou. Em um momento de ironia, Marin rebateu uma declaração de Cupertino sobre ter sido procurado "como uma fera", afirmando que ele era ainda mais perigoso que um animal selvagem.
A Promotoria revelou que uma tatuagem no braço do réu com a frase "marginal sempre marginal" havia sido removida enquanto ele estava foragido. No segundo dia do julgamento, o promotor Rogério Zagallo refutou as alegações da defesa de que Cupertino não seria o autor dos disparos. Ele questionou a lógica da defesa ao sugerir a presença de uma terceira pessoa que teria cometido os crimes sem ser identificada. "Se não foi ele quem atirou, por que não ajudou as vítimas?", perguntou Zagallo.
Depoimentos revelam histórico de violência
A filha do réu, Isabela Tibcherani Matias, deu um depoimento contundente, revelando episódios de violência doméstica que presenciou durante sua infância. Ela relatou ter visto agressões físicas de Paulo Cupertino contra sua mãe e declarou ter sido vítima de violência por parte dele também.
A ex-esposa de Cupertino, Vanessa Tibcherani Camargo, confirmou os relatos de violência familiar. Ela revelou ter registrado boletins de ocorrência contra o ex-marido ao longo dos anos, sempre que não seguia as vontades dele.
A defesa de Paulo Cupertino contestou as acusações, alegando que ele não foi o autor dos disparos e que sua fuga se deu pelo medo de ser alvo de um "linchamento midiático". A advogada Juliane Santos de Oliveira reforçou que o fato de estar foragido não significa culpabilidade automática.
Em seu depoimento, Cupertino se defendeu afirmando nunca ter conhecido as vítimas antes do incidente e negando qualquer envolvimento no crime. Ele se referiu a Rafael como "o garoto que fazia o comercial da Farinha Láctea" e disse desconhecer o namoro da filha com o ator.