Influenciadora permanece presa no interior de São Paulo; Ministério Público aponta suposta ligação com esquema de movimentação financeira associado ao PCC
Letícia Sales Publicado em 18/06/2026, às 12h14
A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público e tornou ré a influenciadora e advogada Deolane Bezerra pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A decisão foi proferida pelo juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara de Presidente Venceslau, no interior paulista.
A denúncia faz parte dos desdobramentos da Operação Vérnix, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que investiga um suposto esquema de ocultação e movimentação de recursos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Deolane segue presa preventivamente no Complexo Penal Feminino de Tupi Paulista. A Justiça também negou o pedido da defesa para transferência da influenciadora para uma Sala de Estado-Maior ou substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar.
Investigação aponta movimentação de recursos
Segundo o Ministério Público, familiares e pessoas de confiança de integrantes da facção criminosa seriam responsáveis por administrar e distribuir recursos obtidos de forma ilícita por meio de uma empresa de transportes.
Ainda de acordo com a denúncia, parte desses valores teria sido direcionada para contas ligadas a Deolane Bezerra, Everton de Souza e Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola.
Os promotores afirmam que relatórios de inteligência financeira, além de quebras de sigilos bancário e fiscal, indicam mecanismos de ocultação e dissimulação de recursos, com posterior reinserção dos valores na economia formal para conferir aparência de legalidade.
Outros denunciados
Além de Deolane, também foram denunciados:
Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior;
Everton de Souza;
Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho;
Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola;
Paloma Sanches Herbas Camacho.
A denúncia foi assinada pelo promotor Lincoln Gakiya e outros integrantes do Ministério Público. Gakiya é considerado uma das principais referências no combate ao crime organizado no país e atua há anos em investigações relacionadas ao PCC.
Pedido de prisão domiciliar foi negado
O Ministério Público também sustentou que benefícios dessa natureza não são recomendados em casos envolvendo organizações criminosas que atuam por meio de violência e intimidação.
Os promotores ainda destacaram que a existência de uma filha menor de 12 anos, embora seja um fator considerado pela legislação, não poderia ser analisada isoladamente diante das circunstâncias apontadas na investigação.
O que diz a defesa
A defesa de Marco Willians Herbas Camacho (Marcola), Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexander Ribeiro Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior contestou as acusações.
Em nota, os advogados afirmaram que Marcola e Alejandro cumprem pena em presídios federais de segurança máxima desde 2019 e que ambos estão submetidos a rígidas restrições de contato.
"Estão submetidos a severas restrições de contato e comunicação, o que, por si só, torna inviável qualquer participação nos fatos investigados e evidencia o equívoco da acusação."
Sobre Leonardo e Paloma, a defesa argumentou que o vínculo familiar não pode ser utilizado como elemento para caracterizar participação em atividades criminosas.
"O mero vínculo familiar com os demais denunciados não pode ser confundido com participação criminosa, sendo inaceitável que a simples proximidade afetiva sirva de fundamento para uma acusação desta magnitude", diz o comunicado.
Os advogados também afirmaram que os bens e recursos mencionados na denúncia possuem origem regular e declararam que irão adotar todas as medidas judiciais cabíveis para contestar as acusações.
O processo seguirá em tramitação e os denunciados terão a oportunidade de apresentar defesa ao longo da ação penal.