Influenciadora era acusada de difamação e injúria pelo deputado estadual; decisão reconheceu liberdade de expressão em manifestações públicas
Letícia Sales Publicado em 15/05/2026, às 10h56
A influenciadora digital Cíntia Chagas foi absolvida pela Justiça de São Paulo das acusações de difamação e injúria apresentadas pelo deputado estadual Lucas Bove, seu ex-marido. A decisão foi assinada nesta quinta-feira (14) pela juíza Elaine Cristina Pulcineli Vieira Gonçalves.
A ação havia sido protocolada por Bove em fevereiro deste ano. Na queixa-crime, o parlamentar alegava que Cíntia teria descumprido o segredo de Justiça e promovido uma campanha de “linchamento moral” contra ele nas redes sociais, causando prejuízos à sua imagem pública.
Ao analisar o caso, a magistrada destacou que ambos são figuras públicas e que o relacionamento entre eles já era amplamente exposto na mídia antes da separação.
“Voluntariamente, expuseram seu relacionamento e casamento na mídia”, escreveu a juíza, acrescentando que os desdobramentos do divórcio “não podem ser tratados como fatos comuns sem repercussão”.
Na sentença, Elaine Gonçalves também entendeu que manifestações feitas por Cíntia, como a frase “Não vamos apanhar caladas”, estavam protegidas pelo direito à liberdade de expressão e envolviam temas de interesse público.
A magistrada avaliou ainda que parte das publicações apresentadas pela defesa de Lucas Bove consistia apenas em repostagens de reportagens jornalísticas, relatos pessoais e manifestações de apoio a mulheres vítimas de violência.
Além da absolvição da influenciadora, a Justiça negou o pedido de indenização solicitado pelo deputado. O pedido feito pela defesa de Cíntia para reconhecimento de má-fé processual por parte de Bove também foi rejeitado.
Até o momento, a defesa do parlamentar não comentou oficialmente a decisão. O espaço segue aberto para manifestação.
Em nota, a advogada Gabriela Mansur, responsável pela defesa da influenciadora, afirmou que a absolvição foi recebida com tranquilidade.
“Seguimos confiando na Justiça e na importância de nunca permitir que mulheres sejam silenciadas pelo medo. Não podemos permitir que vítimas virem ré. A liberdade de expressão vale para as mulheres também”, declarou.
Lucas Bove também responde a outros processos envolvendo a ex-esposa. Em abril deste ano, ele se tornou réu por descumprimento de medidas protetivas concedidas a Cíntia Chagas. O parlamentar já era investigado por violência doméstica, ameaça, perseguição e violência psicológica.
Segundo decisão do juiz Felipe Pombo Rodriguez, o deputado teria cometido ao menos dez episódios de descumprimento das medidas impostas pela Justiça.
Na época, a defesa de Bove negou as acusações.
“As infundadas acusações formuladas por Cintia Maria Chagas são rejeitadas pela defesa. O parlamentar nunca praticou qualquer ilicitude, nunca a ameaçou ou a agrediu”, afirmou a nota divulgada pelos advogados do deputado.
O julgamento sobre o suposto descumprimento das medidas protetivas está marcado para o dia 6 de outubro deste ano, dois dias após o primeiro turno das eleições.