Júri em SP decide futuro de 14 PMs da Rota acusados de executar suspeitos desarmados

Policiais respondem por homicídio doloso e fraude processual, acusados de matar dois homens em 2015 e simular confronto para justificar a ação

Julgamento apura mortes durante ação da Rota em Pirituba há 10 anos - Imagem: Reprodução

Lívia Gennari Publicado em 22/09/2025, às 10h12 - Atualizado às 13h50

O julgamento de 14 policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), tropa de elite da Polícia Militar de São Paulo, ocorre nesta segunda-feira (22). Eles são acusados de executar a tiros dois homens desarmados em 6 de agosto de 2015, na capital paulista.

O Ministério Público de São Paulo (MPSP), afirma que os policiais ainda teriam forjado o local do crime para simular um confronto e justificar a ação. Os réus negam as acusações e todos respondem em liberdade, sendo que alguns já se aposentaram.

O júri começou às 9h30 na 5ª Vara do Júri do Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste. A juíza Maria Gabriela Riscali Tojeira preside a sessão e dará a sentença com base na decisão da maioria dos sete jurados, que podem condenar ou absolver os policiais. Durante o julgamento, serão ouvidas 16 testemunhas de acusação e 12 de defesa. Em seguida, os réus serão interrogados, e promotores e advogados farão os debates antes da votação final dos jurados.

Os PMs respondem por homicídio doloso (quando há intenção de matar), e fraude processual. Segundo o MPSP, as vítimas, Hebert Lúcio Rodrigues Pessoa e Weberson dos Santos Oliveira, não se conheciam e tinham antecedentes criminais.

Ministério Público contesta versão da Rota

De acordo com a acusação, os policiais afirmaram, em interrogatórios, que perseguiam um carro roubado com três ocupantes e que houve troca de tiros. Na versão do MPSP, Hebert foi abordado em Guarulhos e levado a Pirituba, na Zona Norte, onde ambos foram executados. Eles teriam levado 16 tiros, e as armas foram “plantadas” pelos PMs para simular um confronto.

Imagens e o depoimento de uma testemunha ouvido pela Corregedoria reforçam a suspeita de execução e contestam a alegação de legítima defesa apresentada pelos policiais. Segundo a versão dos PMs, as vítimas e um terceiro suspeito teriam atirado contra as viaturas durante a perseguição, o que teria motivado a reação. Nenhum policial foi baleado.

Os agentes já haviam sido detidos durante a investigação em 2015, mas foram liberados no mesmo ano. Em 2018, a Corregedoria da PM os afastou temporariamente do serviço operacional, mas depois retornaram ao trabalho. Caso sejam condenados, poderão responder a um procedimento interno que pode resultar na demissão oficial da corporação.

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