Relatório enviado ao STF cita indícios de tratativas irregulares envolvendo aplicações feitas com dinheiro público
Redação Publicado em 26/05/2026, às 17h31 - Atualizado às 17h50
A Polícia Federal identificou indícios de uma relação próxima entre o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e o banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como controlador do Banco Master, no centro de uma investigação sobre aplicações bilionárias feitas pelo RioPrevidência no banco.
Segundo os investigadores, a proximidade entre Castro e Vorcaro ultrapassava relações institucionais e teria sido determinante para a liberação de investimentos que chegaram a R$ 3,691 bilhões, incluindo aplicações em fundos e Letras Financeiras operadas pelo Banco Master.
Durante a operação, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão contra Cláudio Castro. A equipe da PF permaneceu cerca de três horas na residência do ex-governador, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, e deixou o local com dois celulares apreendidos. A defesa informou apenas que Castro acompanhou a ação com “serenidade”.
A investigação cita mensagens encontradas no celular de Vorcaro que, segundo a PF, indicam que determinadas liberações de recursos do RioPrevidência dependiam de alinhamento político com o então chefe do Executivo estadual. Os investigadores também apontaram um “sincronismo” entre encontros realizados pelos dois e os aportes financeiros feitos logo em seguida pelo fundo previdenciário.
Na decisão, André Mendonça afirmou que há “indícios concretos” de possíveis tratativas ilícitas relacionadas à captação dos recursos públicos. O ministro destacou ainda que os contatos entre Castro e Vorcaro incluíam encontros privados, viagens ao exterior e eventos organizados ou custeados pelo banqueiro.
De acordo com o relatório, as aplicações do RioPrevidência no Banco Master continuaram mesmo após alertas de órgãos de controle e pareceres técnicos considerados desfavoráveis. Para a PF e o Ministério Público Federal, há suspeitas de mudanças deliberadas em procedimentos internos do fundo, ausência de análises técnicas adequadas e concentração excessiva de recursos públicos em operações classificadas como de alto risco.
O Ministério Público também aponta possíveis irregularidades envolvendo intermediários utilizados para elevar comissões e ocultar pagamentos de vantagens indevidas. Até o momento, nem Cláudio Castro nem a defesa de Daniel Vorcaro comentaram o teor das acusações.