Crime organizado

Investigação aponta repasse de empresa de ônibus a sobrinho de Marcola em esquema atribuído ao PCC

Operação identifica movimentações financeiras suspeitas, ligações entre dirigentes da Transunião e integrantes da facção, além de intervenção na empresa de transporte

Operação identifica repasse da Transunião a familiar de Marcola em apuração sobre PCC - Imagem: Divulgação

Julio Cezar Souza Publicado em 26/06/2026, às 07h48

As investigações que deram origem à Operação Vérnix revelaram novas conexões entre integrantes da família de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre os beneficiários identificados está Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho do líder da facção, que teria recebido recursos da empresa Transunião Transportes S.A., alvo das apurações.

Segundo a Polícia Civil, Leonardo é filho de Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, irmão de Marcola, e aparece como destinatário de valores movimentados por estruturas investigadas por ocultar recursos provenientes do crime organizado.

Os investigadores apontam que houve um repasse de R$ 50 mil da Transunião para Leonardo, reforçando a suspeita de que a empresa integrava o esquema financeiro utilizado para movimentar dinheiro ilícito.

A apuração também identificou mensagens atribuídas a Paloma Sanches Herbas Camacho, filha de Alejandro, nas quais Leonardo é mencionado pelo codinome "L" como destinatário de valores determinados pelo pai.

Fluxo financeiro é alvo da investigação

De acordo com o inquérito, as contas monitoradas registraram movimentação de aproximadamente R$ 746 milhões em créditos. Parte dessas operações teria sido realizada por meio de depósitos em dinheiro sem identificação da origem, prática considerada um indício recorrente em investigações sobre lavagem de dinheiro.

Outro personagem citado na investigação é Everton de Souza, conhecido como "Player", apontado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil como responsável por coordenar operações financeiras da facção criminosa. Segundo os investigadores, ele mantinha vínculos com a Transunião, incluindo a transferência de um veículo de luxo para Lourival de França Monário, atual presidente da empresa.

Player foi preso durante a Operação Vérnix, a mesma que resultou na prisão da influenciadora Deolane Bezerra e de integrantes da família Camacho.

Operação mira transporte público


Nesta quinta-feira, a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo deflagraram a Operação Última Parada, que investiga a utilização de empresas de ônibus para lavagem de dinheiro e fraudes em contratos públicos.

Ao todo, foram expedidos cinco mandados de prisão temporária e 104 de busca e apreensão. Entre os presos estão o vereador paulistano Senival Moura (PT), Jair Ramos de Freitas, conhecido como "Cachorrão", apontado como diretor informal da Transunião, e Devanil de Souza Nascimento, o "Sapo", motorista e homem de confiança do parlamentar.

As investigações também têm como alvos Lourival Monário, conhecido como "Orelha", presidente da empresa e atualmente na Itália, e Leonel Moreira Martins, apelidado de "Cabeça Branca", apontado como responsável por intermediar ordens da facção dentro da companhia.

Justiça afasta direção da empresa


Como medida para impedir a continuidade da suposta influência do grupo investigado, a Justiça determinou o afastamento imediato dos administradores da Transunião.

Na sequência da decisão, a Prefeitura de São Paulo anunciou intervenção na empresa para assegurar a continuidade da operação das linhas de ônibus e evitar prejuízos aos passageiros.

Segundo dados do SPUrbanuss, a Transunião opera 51 linhas na capital paulista, principalmente na Zona Leste, transportando cerca de 389 mil passageiros diariamente.

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