Filha de PM morta em SP aguarda pensão enquanto acusado recebe aposentadoria integral

Processo da pensão foi concluído, mas pagamento ainda não ocorreu; o réu já recebe pela reserva

Menina de 7 anos aguarda pagamento após perder a mãe - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 04/04/2026, às 15h05

A filha de sete anos da policial militar Gisele Alves Santana, morta em fevereiro na capital paulista, segue sem receber a pensão prevista para dependentes de servidores públicos falecidos. De acordo com a defesa da família, o pedido do benefício ainda estava em análise enquanto o marido da vítima, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, obteve a aposentadoria em poucos dias após a solicitação.

Segundo o advogado, a criança deve ter direito a um valor aproximado de um salário mínimo e meio, cerca de R$ 2,4 mil. Já o oficial, mesmo preso, foi transferido para a reserva da Polícia Militar de São Paulo com remuneração integral, estimada em torno de R$ 28 mil brutos mensais.

Em nota, a São Paulo Previdência (SPPrev) informou que o processo de concessão da pensão já foi concluído e que o primeiro pagamento está previsto para a próxima quarta-feira, em 8 de abril. O órgão destacou que a liberação do benefício depende de etapas administrativas e jurídicas próprias, diferentes das exigidas para aposentadorias.

A transferência do tenente-coronel para a reserva foi oficializada pela corporação na última quinta-feira (2). Conforme a portaria, ele se aposentou pelos critérios proporcionais de idade, com direito à integralidade dos vencimentos.

O caso também repercutiu no governo estadual. O governador Tarcísio de Freitas afirmou esperar uma punição rigorosa e declarou que, se condenado, o oficial deve permanecer preso pelo restante da vida. Segundo ele, a gravidade do crime exige uma resposta firme do sistema de Justiça.

Relembre o caso

Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta no apartamento onde morava com o marido, no bairro do Brás, na região central de São Paulo, em 18 de fevereiro. A ocorrência chegou a ser registrada inicialmente como suicídio, mas as investigações avançaram e levaram à abertura de inquérito por feminicídio qualificado e fraude processual.

Geraldo Leite Rosa Neto foi preso preventivamente um mês depois e está detido no Presídio Militar Romão Gomes. O Ministério Público o denunciou, e ele passou à condição de réu pelos dois crimes.

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