Esquema na Polícia Civil de SP usava vales-refeição, empresas de fachada e propina para ocultar dinheiro e fraudar investigações

Investigação do MP e da PF detalha como recursos ilícitos eram convertidos em benefícios e como agentes públicos ajudavam a encobrir crimes

Investigações mostram como dinheiro ilegal era disfarçado dentro de departamentos da Polícia Civil - Imagem: Reprodução

Lívia Gennari Publicado em 05/03/2026, às 09h09

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Polícia Federal detalharam nesta quinta-feira (5), o funcionamento de um complexo esquema de corrupção que atuava dentro de departamentos estratégicos da Polícia Civil. Segundo as investigações do Gaeco-SP, os suspeitos criaram uma rede para transformar dinheiro de origem ilegal em recursos aparentemente legais, dificultando o rastreamento das propinas.

O esquema incluía a utilização de empresas fictícias e simulação de operações comerciais, registrando vendas que nunca ocorreram. O dinheiro arrecadado era convertido em créditos de vales-refeição ou cartões de benefícios, criando um disfarce que mascarava a origem ilícita dos valores. Além disso, parte da estrutura incluía simulação de operações de importação para dar aparência legal aos recursos.

Segundo a Promotoria, a rede também envolvia agentes públicos que recebiam propina para encerrar investigações ou evitar fiscalizações. Em um dos episódios, policiais teriam exigido R$ 5 milhões para não prosseguir com um inquérito.

Outros relatos descrevem a substituição de discos rígidos apreendidos em delegacias para apagar provas, pagamentos de propina no hangar do Serviço Aerotático da Polícia Civil e extorsões no 16º Distrito Policial, na Vila Clementino.

Os investigadores destacam que o esquema funcionava como uma engrenagem: enquanto doleiros movimentavam os recursos e empresas de fachada disfarçavam a origem do dinheiro, agentes públicos atuavam para garantir que a rede continuasse operando sem ser investigada.

O MP-SP aponta que esta combinação de métodos permitiu que milhões de reais circulassem sem deixar rastros claros, mantendo o controle sobre departamentos estratégicos da Polícia Civil de São Paulo.

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