Investigação aponta pagamentos ilegais, manipulação de investigações e destruição de provas dentro da corporação

Letícia Sales Publicado em 05/03/2026, às 09h08
Pelo menos quatro agentes da Polícia Civil de São Paulo foram presos preventivamente na manhã desta quinta-feira (5) durante uma operação que investiga um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro dentro da corporação. A ação foi realizada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) em parceria com a Polícia Federal (PF).
Ao todo, a Justiça autorizou 11 mandados de prisão preventiva, além de 25 mandados de busca e apreensão e o bloqueio de bens e valores dos investigados. Também foram expedidas seis intimações relacionadas a medidas cautelares alternativas à prisão. Os mandados estão sendo cumpridos em diferentes endereços da capital paulista, incluindo delegacias.
Segundo as investigações, o esquema envolvia policiais civis, advogados, doleiros e operadores financeiros. O grupo teria atuado de forma estruturada para garantir vantagens ilegais e evitar a responsabilização criminal de pessoas envolvidas em atividades ilícitas.
De acordo com o Ministério Público, os investigados realizavam pagamentos sistemáticos de propina a agentes públicos, além de promover fraude processual e manipular procedimentos investigativos. A prática teria como objetivo proteger integrantes da organização criminosa e assegurar a continuidade de suas operações.
As apurações foram conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), que também identificou casos em que policiais destruíram provas que estavam em inquéritos policiais. A eliminação de evidências, segundo os promotores, era usada para dificultar investigações e favorecer os investigados.
A operação desta quinta-feira busca reunir novas provas, interromper a atuação do grupo e responsabilizar os envolvidos. As investigações continuam.
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