Álvaro e Paulo Jabur Maluf foram soltos por decisão judicial de primeira instância; investigação aponta movimentações suspeitas e ocultação de patrimônio
Lívia Gennari Publicado em 26/08/2025, às 10h56
A Justiça de São Paulo determinou a soltura dos irmãos Álvaro Jabur Maluf e Paulo Jabur Maluf, donos da Camisaria Colombo, presos na última quinta-feira (21) sob suspeita de envolvimento em uma fraude milionária no sistema financeiro e ocultação de patrimônio. A decisão é de primeira instância e não impôs medidas cautelares aos empresários.
A prisão dos irmãos ocorreu durante uma operação da Polícia Civil, que cumpriu quatro mandados de detenção, incluindo a de Álvaro Jabur Maluf Júnior, e 12 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Birigui, Avaré e Brasília. O caso envolve pelo menos sete pessoas, incluindo os empresários, investigados pelos crimes de furto mediante fraude e fraude contra credores.
De acordo com a polícia, o grupo teria se aproveitado de falhas em um sistema de pagamentos para criar créditos falsos e movimentar valores por várias contas bancárias, concentrando grande parte do dinheiro em uma única empresa. A investigação aponta que cerca de R$ 21 milhões foram transferidos irregularmente para uma conta da BS Capital, sendo R$ 9 milhões apenas entre os dias 1º e 21 de outubro de 2024.
Segundo o delegado Paulo Barbosa, da DCCIBE/Deic, o esquema funcionava por meio de uma conta operada pelos donos da Camisaria Colombo, com auxílio de uma empresa terceirizada responsável por coordenar pagamentos de franquias, fornecedores e funcionários. Ao identificar uma vulnerabilidade no sistema, o gestor realizava transferências que chegavam aos destinatários, mas não eram debitadas da origem, caracterizando o que o delegado chamou de "verdadeiro milagre da multiplicação dos peixes".
A fraude teria causado prejuízos significativos tanto a credores quanto ao sistema financeiro nacional. As investigações tiveram início em dezembro, após denúncia formalizada pela PagSeguro, que identificou a fraude tecnológica milionária. Além dos empresários, outras pessoas que se beneficiaram das transferências estão sendo investigadas.