À Polícia Federal, Daniel Vorcaro afirmou que a compra de uma carteira de créditos nunca teve dinheiro envolvido e que o banco enfrentava uma forte crise financeira
Lívia Gennari Publicado em 23/01/2026, às 17h14
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou à Polícia Federal que a instituição enfrentava sérios problemas financeiros e que não chegou a pagar pela compra de uma carteira de créditos avaliada em R$ 6 bilhões, negociada com a empresa Tirreno. A declaração foi dada durante uma acareação e contradiz a versão inicial do caso, que indicava a existência de um pagamento real na operação.
Segundo Vorcaro, o banco vivia uma crise de liquidez, ou seja, não tinha dinheiro suficiente em caixa para cumprir compromissos sem dificuldades. Ele relatou que, até o dia 17 de novembro, o Master conseguiu honrar pedidos de resgate apenas com planejamento extremo. Depois disso, a situação piorou e acabou levando à liquidação da instituição pelo Banco Central.
Na mesma acareação, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Bezerra, afirmou que não cobrou os valores da carteira de créditos porque sabia que o dinheiro simplesmente não existia. De acordo com ele, tentar sacar esses valores poderia provocar a quebra em sequência da empresa Tirreno e do próprio Banco Master.
Vorcaro também admitiu que o banco passou a depender fortemente do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como base do seu modelo de negócios. Segundo ele, essa estratégia funcionou enquanto as regras do fundo permitiam, mas mudanças regulatórias e oscilações do mercado financeiro agravaram a crise.
À PF, o empresário disse ainda que o banco chegou a movimentar entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões por mês, mas precisou reduzir as operações para tentar manter algum nível de liquidez. Com isso, o Master passou a apostar na cessão de ativos, no crédito consignado, na emissão de títulos bancários e no uso de empresas terceirizadas para ampliar seus negócios.
Para os investigadores, as declarações são centrais porque indicam que a operação bilionária pode ter existido apenas no papel, sem circulação real de dinheiro. A admissão de falta de liquidez e a afirmação de que os valores “não existiam fisicamente” reforçam a suspeita de que o negócio foi usado para mascarar a real situação financeira do Banco Master, o que pode caracterizar irregularidades na gestão e no cumprimento das regras do sistema financeiro.