Prisão em Itabira

Diarista suspeita de matar casal de idosos a facadas é presa em Minas Gerais

Paola Stefany Neto Cirino foi localizada em hotel de Itabira acompanhada do filho de 6 anos; ela confessou o crime e alegou ter sofrido "surto psicótico"

A faca utilizada no crime foi escondida pela suspeita e a polícia investiga se houve participação de outra pessoa no assassinato - Imagem: Reprodução

Letícia Sales Publicado em 02/07/2026, às 08h28

A diarista Paola Stefany Neto Cirino foi presa na madrugada desta quinta-feira (2) em um hotel de Itabira, na Região Central de Minas Gerais. Ela estava acompanhada do filho, de 6 anos, quando policiais civis a localizaram e a conduziram para a delegacia.

Paola é apontada como principal suspeita de matar o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a esposa dele, a empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76. Ele foi atingido por 17 facadas; ela, por sete golpes. A mulher havia sido contratada para trabalhar na residência do casal e foi flagrada por câmeras de segurança entrando no prédio na manhã do crime, deixando o local somente horas depois.

Segundo a polícia, após o duplo homicídio, a suspeita tomou banho no próprio apartamento das vítimas, trocou de roupa e saiu carregando bolsas, mochilas e outros pertences do casal.

Monitoramento antes da prisão

Em coletiva nesta quinta-feira, o delegado Gustavo Barletta explicou que a Polícia Civil já havia localizado Paola em Itabira na quarta-feira (1º) e passou a acompanhar seus deslocamentos pelo setor de inteligência antes de efetuar a prisão no hotel. De acordo com o delegado, ela não resistiu à abordagem e disse aos agentes que já esperava ser presa diante da repercussão do caso.

Durante o depoimento, Paola confessou o crime, mas no auto de prisão em flagrante optou por ficar em silêncio. Aos investigadores, relatou que entrou no apartamento sem intenção de roubar, mas decidiu levar objetos de valor ao ver os pertences do casal. Questionada sobre o motivo dos assassinatos, alegou ter passado por um "surto psicótico".

Dívidas e versão sobre o motivo

O delegado também afirmou que a suspeita negou relação entre o crime e dívidas com apostas que ela teria acumulado anteriormente. Segundo Paola, esses débitos já estavam quitados, e a intenção com os objetos roubados era apenas obter dinheiro para despesas do cotidiano.

"Ela assume que pegou todos os objetos que estavam lá disponíveis e que tinha interesse, mas as dívidas que foram ventiladas anteriormente ela alega que já foram pagas. Ela informou que essa nova subtração seria somente para custos pessoais do dia a dia, que não teria mais nenhum tipo de dívida a ser paga", afirmou o delegado.

Como o crime aconteceu

De acordo com o relato da suspeita à polícia, ela dopou o casal com quatro comprimidos de um medicamento de uso pessoal antes de atacá-lo com uma faca encontrada na própria residência. O advogado chegou a acordar e reagir, mas foi empurrado de volta para a cama, onde foi golpeado. Em seguida, a empresária também acordou e foi esfaqueada. A perícia constatou ferimentos de defesa nas vítimas, compatíveis com a versão apresentada por Paola.

Ainda segundo Barletta, a faca usada no crime foi lavada pela suspeita e escondida no apartamento; o objeto deve ser recolhido para exame pericial. As investigações prosseguem para recuperar os bens subtraídos da residência e apurar se houve participação de outra pessoa. Paola afirmou que o homem que a esperava em um carro próximo ao prédio era apenas um motorista de aplicativo, mas a Polícia Civil ainda investiga o envolvimento dele no caso.

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