Maria Gorete Pereira passa a usar tornozeleira eletrônica por decisão do Supremo Tribunal Federal enquanto investigação aponta esquema milionário
Letícia Sales Publicado em 17/03/2026, às 13h43
A deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB-CE) afirmou que não cometeu irregularidades após ser alvo da Operação Indébito, que apura um esquema nacional de fraudes em aposentadorias e pensões do INSS. A ação é conduzida pela Polícia Federal (PF) e representa mais um desdobramento da Operação Sem Desconto.
Por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a parlamentar passará a ser monitorada por meio de tornozeleira eletrônica.
Em nota divulgada após a operação, a deputada negou qualquer envolvimento no esquema investigado.
“A deputada federal Gorete Pereira reitera que não praticou qualquer ato ilícito e que as informações divulgadas não refletem a realidade dos fatos. Sua trajetória pública de mais de 40 anos sempre foi pautada pela integridade. A parlamentar informa que sua defesa já analisa o teor da decisão. O advogado Dr. Waldir Xavier se manifestará oportunamente após análise detalhada do caso. Confiante no devido processo legal, a deputada reafirma seu compromisso com a legalidade e a transparência”.
Apesar da negativa, relatório da Polícia Federal aponta que Gorete teria recebido propinas milionárias para viabilizar acordos fraudulentos dentro do INSS. Em decisão que autorizou a operação, o ministro Mendonça cita mensagens interceptadas nas quais o empresário Natjo de Lima Pinheiro menciona ganhos atribuídos à parlamentar: “E GORETE ganhando 1,5 milhão”.
A Operação Indébito também resultou na prisão do próprio Natjo de Lima Pinheiro e da advogada Cecília Rodrigues Mota, apontados como líderes do esquema. Segundo as investigações, o grupo utilizava “testas de ferro” para movimentar recursos e ocultar a origem dos valores.
O esquema consistia na inserção de dados falsos em sistemas oficiais para viabilizar descontos indevidos diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas, prática que pode ter atingido vítimas em diversas regiões do país.
Ao todo, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão, além de prisões e outras medidas cautelares no Distrito Federal e no Ceará. Os investigados podem responder por organização criminosa, estelionato previdenciário e lavagem de dinheiro.
As investigações seguem em andamento.