Tribunal rejeitou pedido de liberdade enquanto operação segue apurando irregularidades financeiras
Gabriela Nogueira Publicado em 24/11/2025, às 18h31
A Justiça Federal decidiu manter a prisão de Daniel Vorcaro, presidente e controlador do Banco Master, após rejeitar o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa. A decisão, tomada na última quinta-feira, ficou a cargo da desembargadora Solange Salgado da Silva, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Para a magistrada, os elementos reunidos até agora indicam possível prática de gestão fraudulenta e participação em organização criminosa, justificando a continuidade da detenção.
Vorcaro foi preso no dia 18 de novembro durante uma operação da Polícia Federal que apura irregularidades envolvendo a venda de carteiras de crédito e outras movimentações do banco. Depois de passar alguns dias em uma cela da PF em São Paulo, o executivo foi transferido para o Centro de Detenção Provisória 2, em Guarulhos. Outros investigados, como Luiz Antônio Bull e Alberto Felix de Oliveira Neto, também foram levados para o mesmo presídio. Já Angelo Antonio Ribeiro da Silva e Augusto Ferreira Lima permanecem sob custódia na Superintendência da PF.
As apurações apontam que o grupo teria comercializado carteiras de crédito com possíveis falhas documentais ao Banco de Brasília. O Banco Master também é investigado por ofertar CDBs com juros muito acima dos praticados no mercado, levantando suspeitas sobre a sustentabilidade das operações e a veracidade das garantias apresentadas aos clientes.
Ao negar o habeas corpus, a desembargadora destacou que há indicação de conduta reiterada destinada a atrapalhar o andamento das investigações. Segundo ela, a análise dos documentos e depoimentos reforça a necessidade de manter os envolvidos sob custódia para evitar interferências no processo. Um novo pedido da defesa ainda aguarda julgamento no TRF1.
No sábado anterior, os advogados de Vorcaro divulgaram uma nota contestando as acusações. Eles afirmam que não houve fraude nos valores mencionados pela Polícia Federal e sustentam que as carteiras de crédito investigadas foram adquiridas de terceiros que eram responsáveis pela documentação. A defesa diz ainda que o banco agiu dentro das regras legais e que não houve transferência definitiva das carteiras ao BRB, o que invalidaria a acusação de prejuízo financeiro.
A prisão do banqueiro ocorreu no Aeroporto de Guarulhos, logo após o anúncio de que um consórcio liderado pela Fictor Holding Financeira compraria o Banco Master. Pouco depois, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição e bloqueou os bens dos seus controladores. A Polícia Federal afirma que Vorcaro tentava fugir para a Europa, mas a defesa rebate dizendo que ele viajava para uma reunião de negócios em Dubai.
Uma decisão posterior determinou que os detidos na operação permaneçam na carceragem da Superintendência da PF na Zona Oeste de São Paulo, enquanto o caso segue em andamento.