A Justiça de Minas Gerais inicia nesta terça-feira (25) a audiência do caso que investiga o assassinato do gari Laudemir Fernandes, morto durante uma discussão de trânsito em Belo Horizonte
William Oliveira Publicado em 25/11/2025, às 08h21
A Justiça de Minas Gerais realiza nesta terça-feira (25), a audiência inaugural do caso que apura a morte do gari Laudemir Fernandes, de 44 anos, assassinado em Belo Horizonte, após ser atingido mortalmente por um tiro enquanto trabalhava na coleta de lixo no Bairro Vista Alegre, em agosto deste ano. O autor do disparo, o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, de 47 anos, confessou o crime.
Renê responde por homicídio triplamente qualificado, conforme denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). As qualificadoras incluem motivo torpe e emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima.
A esposa do réu, a delegada Ana Paula Lamego Balbino Nogueira, também é investigada. Ela foi indiciada por prevaricação, por supostamente ter tido conhecimento do crime sem tomar providências, e por porte ilegal de arma, já que teria cedido ao marido sua arma particular.
Durante a audiência desta terça, oito testemunhas de acusação devem ser ouvidas. Na quarta-feira (26), será a vez de seis testemunhas de defesa prestarem depoimento. Há expectativa de que Renê seja interrogado pelo juiz responsável.
Um ponto que chamou atenção no processo foi a apresentação, pela defesa, de supostos diplomas e certificados atribuídos ao empresário, indicando formações em instituições como Estácio de Sá, USP, Fundação Dom Cabral, Harvard Business Brasil e Ambev. Todas essas instituições negaram qualquer vínculo com o acusado.
A morte de Laudemir Fernandes ocorreu após uma discussão de trânsito em 11 de agosto, no Bairro Vila da Serra, na Grande Belo Horizonte. Segundo o boletim de ocorrência, Laudemir e outros garis realizavam o trabalho de coleta quando o caminhão precisou parar para dar passagem ao carro do empresário.
Renê teria abaixado o vidro e ameaçado os trabalhadores, afirmando que mataria alguém caso encostassem em seu veículo. Os garis tentaram acalmá-lo e pediram que seguisse viagem, mas ele desceu do carro exaltado e disparou contra o grupo.
Tiago Rodrigues, um dos garis presentes, relatou a frieza do acusado: “Assim que atirou, ele entrou no carro como se nada tivesse acontecido e foi embora”. Ele tentou socorrer Laudemir, que morreu em decorrência do ferimento.
O empresário foi localizado após uma testemunha informar parte da placa do carro e com a ajuda de imagens de câmeras de segurança. A Polícia Civil divulgou uma foto do suspeito, que foi reconhecido pelos garis. No momento da prisão, realizada em um estacionamento de academia, Renê negou o crime.
No dia 15 de agosto, a Polícia Civil informou que a arma utilizada — pertencente à esposa, a delegada Ana Paula — havia sido confirmada pela perícia como a mesma usada no assassinato. A investigação sobre a conduta da delegada segue na Corregedoria da Polícia Civil de Minas Gerais.