Planilhas obtidas via Lei de Acesso à Informação indicam que banco continuou adquirindo carteiras mesmo após identificar irregularidades
Redação Publicado em 06/04/2026, às 15h39
O Banco de Brasília adquiriu pelo menos R$ 30,4 bilhões em ativos do Banco Master entre julho de 2024 e outubro de 2025, segundo documentos obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI).
Os dados revelam que as operações continuaram mesmo após o banco identificar indícios de irregularidades em parte das carteiras adquiridas. Além do montante principal, outras transações envolvendo substituições de ativos elevaram o volume total negociado para mais de R$ 40 bilhões.
As compras começaram com carteiras diversificadas, incluindo crédito de varejo, crédito atacado, Certificados de Depósito Interbancário (CDI), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e fundos. Entre os produtos adquiridos, destacam-se empréstimos consignados, crédito rotativo, parcelamento de faturas e operações ligadas ao chamado “PIX Crédito”.
O ponto mais sensível da operação ocorreu a partir de março de 2025, quando o BRB detectou que parte das carteiras adquiridas apresentava sinais de fraude. Mesmo assim, o banco ampliou sua exposição e comprou mais R$ 20,7 bilhões em ativos do Master após essa identificação.
Outro alerta relevante veio em setembro de 2025, quando o Banco Central do Brasil rejeitou a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB. Ainda assim, novas operações foram realizadas, incluindo um repasse adicional de R$ 1,9 bilhão.
As planilhas indicam também a prática de substituição de ativos considerados de baixa qualidade. Nesse modelo, o BRB devolvia carteiras problemáticas e recebia novos ativos em troca — muitos deles, posteriormente classificados como igualmente arriscados.
Ao todo, foram registradas 120 aquisições de carteiras de crédito de varejo, além de dezenas de operações envolvendo títulos financeiros. Parte significativa dessas transações estava ligada a linhas de crédito consignado, especialmente voltadas a beneficiários do INSS.
O caso levanta questionamentos sobre governança, gestão de risco e supervisão dentro do sistema financeiro. Especialistas apontam que a continuidade das operações, mesmo diante de alertas internos e externos, pode ter ampliado significativamente os prejuízos potenciais.
Em fevereiro deste ano, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, afirmou que busca compradores para os ativos adquiridos. Segundo ele, a carteira — que custou mais de R$ 30 bilhões — está atualmente avaliada em cerca de R$ 21,9 bilhões, indicando possível perda bilionária.