Acusado de dois homicídios, Fernando Guerrero também responde por fraudes e uso de identidade falsa
Lívia Gennari Publicado em 25/06/2025, às 14h23
O falso médico Fernando Henrique Guerrero, investigado por atuar ilegalmente na Santa Casa de Sorocaba, no interior de São Paulo, foi preso na tarde desta terça-feira (25/6), após se entregar no 1º Distrito Policial de Guarulhos, na região metropolitana da capital. A informação foi confirmada pela Secretaria da Segurança Pública (SSP).
Guerrero estava foragido desde maio, quando teve a prisão decretada a pedido do Ministério Público de São Paulo (MPSP). Ele compareceu à delegacia acompanhado de um advogado e permanecerá à disposição da Justiça.
Réu em dois processos por homicídio e já condenado por exercício ilegal da medicina, Fernando também responde por lesão corporal, após a demora no diagnóstico de câncer em uma paciente.
Histórico de fraudes e mortes
Apesar de ter cursado medicina, Guerrero não possuía registro profissional. Mesmo assim, usou documentos falsos para se passar por outro médico, Ariosvaldo Fiorentino, e atuou na Santa Casa de Sorocaba. Em depoimento, afirmou que conheceu Ariosvaldo durante um estágio e que se “identificou com ele”.
Durante o período em que atuou ilegalmente como médico, Fernando é acusado de ter causado prejuízo a pelo menos três pacientes. Duas mulheres morreram e outra teve o diagnóstico de câncer de pulmão atrasado, precisando iniciar quimioterapia já em estado avançado da doença.
Uma das vítimas fatais foi Helena Rodrigues, que sofreu um infarto. A outra, Therezinha Monticelli Calvim, morreu na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa, após, segundo a acusação, não receber o encaminhamento adequado do falso médico.
Tentou forjar a própria morte
De janeiro a março deste ano, Fernando chegou a ser considerado oficialmente morto. A Justiça cogitava arquivar os processos contra ele, com base em um atestado de óbito falso. A farsa, no entanto, foi descoberta quando o próprio acusado tentou atualizar documentos em um cartório de Guarulhos. Após identificar a irregularidade, o Ministério Público pediu sua prisão preventiva, decretada pela Justiça em maio.
Condenação anterior
Antes mesmo das denúncias envolvendo a prática ilegal da medicina, Fernando já acumulava antecedentes criminais. Em 2012, ele foi condenado por portar munições e um distintivo da Polícia Civil, mesmo sem ser agente da corporação. O flagrante aconteceu em 2009, também em Guarulhos. Na época, ele afirmou à Polícia Militar que havia encontrado o material dentro de uma mochila e que pretendia entregá-lo em uma delegacia, versão que não se sustentou perante à Justiça.
As investigações seguem em andamento para apurar se existem outras fraudes relacionadas ao falso médico.