Empresário do agro e dona de escola foram mortos em chácara da família; investigação aponta fraude milionária e disputa de bens
Lívia Gennari Publicado em 18/06/2025, às 13h57
O casal de advogados, Hércules Praça Barroso e Fernanda Morales Teixeira Barroso, foi preso na última terça-feira (17/6), em São Carlos, no interior de São Paulo.
Ambos são suspeitos de envolvimento no assassinato de dois clientes: os empresários José Eduardo Ometto Pavan, de 69 anos, e Rosana Ferrari, de 61. As prisões ocorreram durante a Operação Jogo Duplo, da Polícia Civil, que também cumpriu mandados na cidade de Praia Grande, no litoral paulista.
José Eduardo era dono de um sítio voltado à produção de eucalipto e à criação de gado. Ele também era herdeiro da tradicional família Ometto Pavan, que administra a Usina São Martinho, uma das maiores processadoras de cana-de-açúcar do mundo. Rosana era proprietária de uma escola infantil.
Fraudes e homicídio
A investigação aponta que o casal teria encomendado os homicídios em abril deste ano. O crime teria sido motivado por uma série de fraudes patrimoniais contra o casal de empresários, de quem os advogados já haviam recebido R$ 2,8 milhões em honorários. A polícia apura ainda a apropriação indevida de aproximadamente R$ 12 milhões em imóveis pertencentes às vítimas.
De acordo com o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), os advogados falsificavam guias de recolhimento de custas judiciais, comprovantes de pagamento e até decisões judiciais para enganar o casal de empresários. As vítimas, confiando nos defensores, realizaram depósitos em valores altos, acreditando que se tratavam de despesas processuais legítimas que, na verdade, eram inexistentes.
Após as fraudes, os suspeitos teriam articulado a morte do casal. Conforme a Polícia Civil, dois pistoleiros de 54 e 57 anos, que foram presos em Praia Grande, foram contratados para executar os assassinatos.
O crime ocorreu em São Pedro, também no interior paulista. Na ocasião, José Eduardo e Rosana foram encontrados mortos dentro de uma caminhonete estacionada em uma chácara da família. Imagens e testemunhas apontam que, no dia do assassinato, um dos investigados esteve com o casal, ainda com vida, antes do anoitecer. Mais tarde, o veículo foi levado até o local onde os corpos foram encontrados.
A operação que prendeu os suspeitos contou com apoio aéreo da Polícia Civil e teve como foco o cumprimento de mandados de prisão, busca e apreensão em São Carlos e no litoral. A investigação segue em andamento, sob sigilo, e busca esclarecer com precisão a dinâmica e as motivações do crime.