Déficit supera 248 bilhões de litros em relação a 2025; Cantareira concentra maior parte da perda e mantém região sob atenção
Letícia Sales Publicado em 02/03/2026, às 10h22
As represas que abastecem a Grande São Paulo iniciam março com menos água armazenada do que no mesmo período do ano passado. O Sistema Integrado Metropolitano (SIM) registra atualmente 947 bilhões de litros, frente aos 1.195 bilhões contabilizados no início de março de 2025, uma diferença de 248 bilhões de litros. O volume perdido seria suficiente para abastecer toda a região metropolitana por cerca de dois meses.
Na comparação com março de 2024, o cenário é ainda mais preocupante: são 559 bilhões de litros a menos. A diferença equivale a quase 60% da capacidade total do Sistema Cantareira e garantiria abastecimento por aproximadamente quatro meses e meio, praticamente todo o período mais seco do ano, que vai do meio do outono ao início da primavera.
O Cantareira, principal manancial da região, concentra a maior parte do déficit. O sistema acumula 354 bilhões de litros, 233 bilhões a menos que no mesmo período de 2025, quando registrava 587 bilhões. Sozinho, ele responde por 94% da redução total do SIM na comparação anual e representa hoje 37% de toda a água disponível para consumo.
Apesar do cenário delicado, fevereiro trouxe algum alívio. O Cantareira ganhou 128 bilhões de litros no mês e passou de 22,7% para 35,8% da capacidade. Com a melhora, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) autorizou a Sabesp a ampliar a retirada de água, permitindo captação de até 27 m³/s, dentro dos limites da outorga.
Mesmo com a recuperação parcial, o sistema saiu da Faixa 4 (restrição) para a Faixa 3 (alerta), mantendo autoridades em vigilância. A região metropolitana segue sob gestão de pressão noturna, das 19h às 5h, medida que pode impactar o fornecimento em áreas mais elevadas ou distantes dos centros de distribuição.
Outros sistemas apresentam comportamentos distintos. Guarapiranga, Rio Claro e Rio Grande estão com volumes superiores aos registrados em março de 2025, mas juntos representam apenas 26% da capacidade total disponível. Já Alto Tietê, Cotia e São Lourenço também operam abaixo do nível do ano passado e somam 36% do total atual.
A dependência do Cantareira continua sendo o ponto central do equilíbrio hídrico da Grande São Paulo. Mesmo em recuperação, o sistema permanece como o principal termômetro da segurança no abastecimento da maior região metropolitana do país.