Prisão de Deolane

Vídeo mostra chegada de Deolane à delegacia após prisão em operação contra o PCC

Influenciadora foi levada ao DHPP após força-tarefa apontar depósitos suspeitos, movimentações incompatíveis e conexão com esquema financeiro da facção

Com vínculos a uma transportadora ligada ao PCC, Deolane Bezerra é investigada por movimentações milionárias sem lastro econômico - Imagem: Reprodução/Leonardo Amaro/Metrópoles

Letícia Sales Publicado em 21/05/2026, às 10h02

A influenciadora e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21), durante uma operação do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao Primeiro Comando da Capital.

Após a prisão, Deolane foi encaminhada ao Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), na região central da capital paulista.

Segundo os investigadores, a influenciadora entrou na mira das autoridades após análises financeiras identificarem movimentações consideradas incompatíveis com sua renda declarada, além de depósitos suspeitos realizados entre os anos de 2018 e 2021.

De acordo com o Ministério Público, mais de 50 transferências fracionadas teriam sido feitas para contas ligadas à influenciadora, somando aproximadamente R$ 700 mil. A prática é frequentemente apontada por investigadores como uma estratégia para dificultar o rastreamento da origem dos recursos.

Suspeita de ocultação de dinheiro ilícito

As investigações apontam que Deolane teria desempenhado um papel importante na suposta ocultação de dinheiro ligado ao PCC ao conferir aparência de legalidade aos recursos movimentados.

Segundo os investigadores, a projeção pública da influenciadora, aliada às suas empresas e à movimentação patrimonial, teria sido utilizada para dissimular a origem ilícita do dinheiro e dificultar a ligação direta com a facção criminosa.

A apuração também cita vínculos pessoais e comerciais entre Deolane e um dos chamados “gestores fantasmas” de uma transportadora localizada em Presidente Venceslau, no interior paulista. A empresa já havia sido apontada em investigações anteriores como braço financeiro do PCC.

As autoridades afirmam ainda que a influenciadora apresentou movimentações milionárias sem lastro econômico compatível, além da aquisição e vinculação a imóveis e veículos de luxo.

Parte dos valores recebidos, segundo a investigação, teria sido enviada por um homem da Bahia que recebe salário mínimo e é suspeito de atuar como “laranja” no esquema.

Investigação começou em 2019

A Operação Vérnix teve início há seis anos, após policiais penais apreenderem bilhetes com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau.

Os manuscritos continham referências à estrutura interna do PCC, possíveis ataques contra agentes públicos e menções a uma “mulher da transportadora”, que teria ajudado no levantamento de endereços de servidores.

A partir daí, a investigação avançou sobre a atuação financeira da organização criminosa e identificou movimentações patrimoniais consideradas suspeitas.

Na fase atual da operação, a Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 327 milhões em bens e valores, além da apreensão de 17 veículos de luxo e do cumprimento de seis mandados de prisão preventiva.

Também foram bloqueados cerca de R$ 27 milhões ligados diretamente à influenciadora.

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