Após a morte de Vitória Chaves, família acusa alunas de medicina de desrespeito em vídeo viral no TikTok sobre transplantes cardíacos
Marina Milani Publicado em 09/04/2025, às 08h47
Recentemente, a família de uma jovem de 26 anos que faleceu em fevereiro após complicações relacionadas a uma cardiopatia congênita protocolou uma denúncia na delegacia e no Ministério Público, acusando duas estudantes de medicina de exporem seu caso de maneira desrespeitosa em um vídeo viralizado no TikTok.
As alunas publicaram um conteúdo onde comentavam sobre os três transplantes cardíacos realizados em Vitória Chaves da Silva no Instituto do Coração (Incor), em São Paulo. Em sua narrativa, insinuaram que a falha de um dos procedimentos se deu pela suposta falta de adesão da paciente ao tratamento medicamentoso. A família contesta essa informação e solicita uma retratação pública.
Segundo informações da irmã de Vitória, o vídeo foi postado no dia 17 de fevereiro deste ano, apenas nove dias antes da morte da jovem, que ocorreu devido a choque séptico e insuficiência renal crônica. A família tomou conhecimento da existência do vídeo apenas na semana passada e refutou a alegação sobre a falta de medicamentos após o segundo transplante.
"Um amigo que vive na Holanda reconheceu a história e nos alertou. Ficamos em estado de choque. Essas estudantes realizaram um estágio de 30 dias no Incor, mas não tiveram qualquer contato direto com minha irmã. Essa desinformação gerou críticas injustas contra ela", declarou Giovana Chaves, irmã da paciente.
No conteúdo excluído das redes sociais, as estudantes Gabrielli Farias de Souza e Thaís Caldeiras Soares Foffano relatavam sua surpresa ao saber que uma paciente havia passado por três transplantes cardíacos. "Um transplante já é um evento complexo, que envolve múltiplos fatores como compatibilidade e questões burocráticas. Imaginar alguém passando por três é algo surreal", comentou Thaís.
Gabrielli, por sua vez, atribuiu a rejeição do segundo transplante à suposta negligência da paciente em seguir o regime medicamentoso prescrito. "A segunda vez ela transplantou e não tomou os remédios que deveria tomar, o corpo rejeitou e teve que transplantar novamente por um erro dela", afirmou Gabrielli.
A ironia foi ainda mais evidente quando Thaís comentou: "Essa menina está achando que tem sete vidas. Não sei por qual motivo não passamos por cirurgia cardíaca ainda". O vídeo causou indignação entre os familiares e amigos de Vitória.
A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), responsável pelo Incor, esclareceu que as alunas são graduandas de outras instituições e estavam no hospital em razão de um curso de extensão breve. Em nota oficial, a FMUSP repudiou veementemente qualquer forma de desrespeito aos pacientes e reafirmou seu compromisso ético.
A irmã de Vitória expressou sua indignação ao afirmar que a narrativa apresentada pelas estudantes estava incorreta e feriu profundamente a memória da jovem. "Queremos que elas se retratem conosco; isso toca numa ferida muito aberta. Precisamos desmentir essa desinformação para que as críticas injustas cessem", disse Giovana.
O Ministério Público informou que o caso foi encaminhado para análise do 4º Promotor de Justiça de Direitos Humanos da capital, embora até o momento não tenha se manifestado oficialmente.
Vitória nasceu em Luziânia (GO) e desde muito jovem enfrentou desafios médicos significativos devido à sua condição rara chamada Anomalia de Ebstein. Sua luta pela vida incluiu múltiplas cirurgias e transplantes ao longo dos anos, tendo sido reconhecida como uma lutadora tanto na vida pessoal quanto em suas aspirações profissionais.