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TJSP anula lei que aboliu limite de ruído em eventos na capital

A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo foi motivada por uma ação do Ministério Público, que alegou irregularidades na aprovação da norma

TJSP derruba lei que liberava barulho em shows e eventos em SP - Imagem: Reprodução / Freepik

William Oliveira Publicado em 04/09/2025, às 08h40

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) determinou a suspensão de uma lei que aboliu os limites de ruído para shows e eventos na capital paulista. A decisão, proferida na última quarta-feira (3), considerou a norma, em vigor desde 2024, inconstitucional.

A ação foi movida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), que argumentou que a alteração no Programa Silêncio Urbano (PSIU) foi aprovada de maneira irregular, durante uma sessão que discutia outro tema. O tribunal acatou o argumento.

Segundo o TJSP, a lei original tratava da gestão de resíduos sólidos na cidade, mas recebeu uma emenda parlamentar sem relação com o assunto principal, criando exceções para os limites de ruído urbano.

Inconstitucionalidade da flexibilização

A norma que flexibilizava os limites de ruído foi aprovada em dezembro de 2024, inserida em um substitutivo do PL 799/2024, que originalmente tratava da ampliação de um aterro em São Mateus, Zona Leste. Durante a tramitação, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) defendeu a mudança como forma de equilibrar interesses da prefeitura e dos moradores de áreas próximas a estádios e arenas.

“A gente precisa entender o interesse da cidade, que precisa ser compatibilizado com o direito das pessoas que moram no entorno do Allianz [Allianz Parque]. Precisamos entender que o Allianz é uma fonte de receita enorme”, afirmou.

Não é a primeira vez que o TJSP derruba alterações desse tipo. Em setembro de 2023, o tribunal já havia considerado inconstitucional parte de uma norma aprovada em 2022, que elevava o limite de ruído de 55 para 75 decibéis em estádios e casas de espetáculo. Na ocasião, os desembargadores entenderam que a mudança também foi incluída em um projeto sem relação com o tema, voltado às chamadas “dark kitchens”.

A Procuradoria Geral do Município (PGM) informou que só irá se manifestar após ser formalmente notificada da decisão.

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