Obras suspensas após explosão

Tarcísio suspende 30 obras da Sabesp após explosão de gás no Jaguaré

Governo promete revisar protocolos de segurança, indenizar famílias afetadas e reconstruir moradias destruídas pela tragédia na zona oeste de São Paulo

Moradores articulam ação coletiva contra responsáveis pela explosão, buscando reparação por perdas e danos após a tragédia - Imagem: Reprodução/Alessandra Ferreira/Metrópoles

Letícia Sales Publicado em 14/05/2026, às 09h51

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, anunciou nessa quarta-feira (13) a suspensão de 30 obras da Sabesp semelhantes à que antecedeu a explosão de gás no Jaguaré, na zona oeste da capital paulista. O acidente deixou uma pessoa morta, três feridos e dezenas de imóveis interditados.

A decisão foi divulgada durante entrevista coletiva realizada na região atingida. Segundo o governador, a paralisação temporária tem como objetivo revisar os protocolos de segurança adotados em intervenções que envolvem escavações próximas a redes subterrâneas.

Existe um protocolo para essas obras em conjunto. Sempre que você vai fazer uma obra que envolve escavação e que tem interferência com outras concessionárias, você faz isso em conjunto. Tinha um técnico da Comgás aqui. Tinha marcação no terreno de onde o furo direcional deveria passar e, por alguma razão, isso não foi feito da maneira correta. Estamos apurando. A gente tem mais de 30 obras dessa natureza acontecendo neste momento, todas foram interrompidas para que a gente possa revisar esses protocolos e evitar novos acidentes”, afirmou Tarcísio.

Famílias afetadas

O governo estadual anunciou medidas emergenciais para atender os moradores atingidos pela explosão. Segundo Tarcísio, as famílias poderão optar entre receber apartamentos da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), cartas de crédito habitacional ou a reforma das casas destruídas.

Os valores das moradias temporárias e dos ressarcimentos serão pagos pelas concessionárias envolvidas na obra, a Sabesp e a Comgás.

Além disso, comerciantes afetados terão direito a indenizações relacionadas à perda de renda causada pela destruição dos imóveis e pela interrupção das atividades.

As cartas de crédito previstas pelo governo podem variar entre R$ 250 mil e R$ 300 mil, dependendo da situação de cada família.

Mortos e feridos

A explosão matou o vigilante Alex Sandro Fernandes Nunes, de 49 anos, que estava dormindo quando foi atingido pelos escombros.

“Ele estava dormindo no momento da explosão”, relatou o enteado da vítima, Luiz Gustavo.

Outras três pessoas ficaram feridas. Francisco Albino da Silva permanece internado em estado grave no Hospital Regional de Osasco. Já Fernando Silva da Cunha, funcionário da Sabesp, passou por cirurgia após sofrer ferimentos no crânio.

Osmar Braz Henrique, de 56 anos, foi arremessado pela janela durante a explosão e sofreu fraturas em duas vértebras.

Segundo o governo estadual, 232 pessoas já foram cadastradas para receber auxílio emergencial de R$ 5 mil por família. O valor é considerado inicial e deve ser complementado após o cálculo total dos prejuízos.

A Defesa Civil informou que 27 imóveis seguem interditados. Outros 86 já foram liberados para retorno dos moradores.

Investigação e ação judicial

A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) determinou que Sabesp e Comgás entreguem até sexta-feira (15) os laudos técnicos e periciais sobre o acidente.

Os documentos serão analisados para definir eventuais responsabilizações e medidas administrativas.

Enquanto isso, moradores atingidos pela explosão articulam uma ação coletiva na Justiça contra os responsáveis pelo acidente.

Segundo o líder comunitário Eduardo Santos Vieira, mais de 40 famílias participam da mobilização judicial.

Os moradores afirmam que perderam casas, móveis e documentos, além de relatarem sensação de abandono após a tragédia.

O advogado que representa as famílias informou que ainda avalia quais medidas jurídicas serão adotadas inicialmente.

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