Tarcísio alerta para impacto da tarifa de Trump em SP e pede diálogo com EUA

Aumento das tarifas sobre produtos brasileiros gera críticas e preocupações entre indústrias e agronegócio, segundo Tarcísio

Governador de São Paulo destaca que tarifa afetará empresas como Embraer e comprometerá a economia do estado - Imagem: Reprodução | JOTA / Brasil Paralelo

Marina Milani Publicado em 10/07/2025, às 18h49

O governador do estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, manifestou preocupação em relação à tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, recentemente anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em evento realizado na quinta-feira (10), o governador destacou que essa medida terá um impacto negativo significativo para a economia paulista.

"São Paulo é um grande exportador e os Estados Unidos são o principal destino das exportações industriais do estado", afirmou Tarcísio, ressaltando que a nova tarifa afetará diretamente empresas importantes como a Embraer, que recentemente conquistou contratos significativos.

Tarcísio classifica a decisão como "deletéria", reconhecendo que as consequências serão severas para as empresas locais. O governador também mencionou que sua administração já está em contato com a embaixada americana, embora a responsabilidade pela negociação com o governo dos EUA recaia sobre a administração federal. Ele enfatizou a necessidade de deixar de lado as questões ideológicas para facilitar um diálogo construtivo.

"Precisamos sentar à mesa e trabalhar juntos, sem permitir que as questões políticas ou ideológicas interfiram nas negociações", declarou o governador durante sua fala.

Em uma crítica mais incisiva, Tarcísio responsabilizou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela atual situação econômica, afirmando que o governo petista priorizou ideologias em detrimento da economia. O governador sugeriu que o alinhamento do Brasil a regimes autoritários e a defesa da censura contribuíram para a decisão de Trump.

A reação à medida foi amplamente negativa entre economistas e especialistas. Alexandre Schwartsman, ex-presidente do Banco Central, expressou preocupação com as motivações políticas por trás da tarifa. O renomado economista Paul Krugman também comentou sobre a utilização da política tarifária com fins políticos.

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, respondeu às críticas de Tarcísio, acusando-o de colocar ideologias acima dos interesses nacionais e de tentar capitalizar politicamente em meio à crise. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, por sua vez, defendeu que não há espaço no Brasil para atitudes subservientes frente a agressões econômicas.

Na carta enviada ao presidente Lula para justificar o aumento da tarifa, Trump criticou publicamente o julgamento do ex-presidente Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), alegando ser "uma vergonha internacional". Lula contra-atacou afirmando que o Brasil não aceitará ser tutelado por ninguém e que responderá ao aumento das tarifas com base na Lei da Reciprocidade Econômica.

Além disso, dados do Ministério do Desenvolvimento contradizem as alegações de Trump sobre déficits comerciais injustos; na verdade, o Brasil tem registrado déficits comerciais com os EUA desde 2009. Essa discrepância indica que as novas tarifas podem ter uma motivação geopolítica mais profunda, visando fortalecer a posição dos EUA nas relações internacionais.

O presidente Lula reafirmou a soberania brasileira ao declarar que os processos judiciais relacionados ao golpe de Estado de 8 de janeiro são uma questão exclusiva da Justiça brasileira e não devem ser influenciados por pressões externas.

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