Possível migração de Felício Ramuth para o MDB surge como alternativa diante de resistência de Kassab
Letícia Sales Publicado em 19/03/2026, às 09h03
Aliados do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmam que ele avalia alternativas para garantir a permanência de seu atual vice, Felício Ramuth, na chapa de reeleição. Entre as possibilidades discutidas nos bastidores está a migração de Ramuth para o MDB, caso ele não consiga se manter no PSD.
A movimentação surge em meio a um impasse entre o governador e o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. O dirigente resiste à permanência de Ramuth como vice, já que tem interesse em indicar um nome do próprio partido para a vaga — cenário descartado por Tarcísio.
Interlocutores de Kassab afirmam que, apesar das divergências, não há intenção de rompimento com o governador. Ainda assim, o dirigente não deve abrir mão de espaço na chapa. Já Ramuth tem dito a aliados que pretende conversar diretamente com Kassab antes de considerar qualquer mudança partidária.
A eventual ida para o MDB, no entanto, enfrenta resistências internas. Um dos principais obstáculos é o prefeito da capital, Ricardo Nunes, que também integra o partido e mantém proximidade com Tarcísio. De acordo com aliados, Nunes não vê com bons olhos a possibilidade, já que a posição de vice pode projetar um nome competitivo para a sucessão estadual em 2030.
Esse cenário de médio prazo influencia diretamente as negociações atuais. Há a expectativa de que o ocupante da vice possa assumir o governo caso Tarcísio decida disputar a Presidência da República, o que aumentaria o peso político da escolha.
Apesar das resistências, o MDB tem sinalizado interesse em compor a chapa. O presidente nacional da sigla, Baleia Rossi, teve encontros recentes com o governador, embora dirigentes neguem que a vaga de vice tenha sido tratada diretamente. Ainda assim, lideranças estaduais defendem a participação do partido.
“O MDB-SP tem uma relação sólida com Tarcísio, construída a partir do segundo turno de 2022. Nossa base quer manter esse apoio em 2026. Entendemos que podemos colaborar na discussão sobre as vagas da chapa majoritária. Por isso, de fato, colocamos o MDB como opção para a vaga de vice-governador”, afirmou o presidente estadual da legenda, Rodrigo Arenas.
Nos bastidores, também há preocupação com os impactos nacionais da aliança. Integrantes do MDB avaliam que a participação na chapa paulista pode afetar articulações em outros estados, especialmente no Nordeste, onde o partido mantém proximidade com o governo federal.
Além disso, aliados mais alinhados ao bolsonarismo demonstram resistência à aproximação com MDB e PSD, que consideram partidos com inclinação à esquerda. Para esse grupo, o ideal seria que a vaga de vice fosse ocupada por um nome do PL, hipótese que não é a preferida de Tarcísio.
As negociações seguem em aberto, com a definição da chapa ainda condicionada a acordos políticos e estratégias para as eleições de 2026.