Decisão do Superior Tribunal de Justiça permite que sete investigados respondam ao processo em liberdade mediante cumprimento de medidas cautelares. O influenciador Buzeira e o contador apontado como peça central das investigações permanecem presos preventivamente.
Ana Beatriz Publicado em 01/07/2026, às 14h28
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou a revogação da prisão preventiva de sete investigados na Operação Narco Bet, uma das principais investigações da Polícia Federal sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico internacional de drogas, rifas ilegais, plataformas de apostas e movimentações financeiras por meio de criptoativos. A decisão foi assinada pelo ministro Messod Azulay Neto.
Com a medida, os investigados poderão responder ao processo em liberdade, desde que cumpram uma série de medidas cautelares impostas pela Justiça. Entre elas estão o uso de tornozeleira eletrônica, entrega do passaporte, proibição de deixar o país sem autorização judicial, comparecimento periódico ao juízo, atualização de endereço, proibição de contato com outros investigados e manutenção do bloqueio de bens e valores.
Segundo a decisão, foram beneficiados Fernando Silva Abreu Costa, Arthur Gabriel Censi, Lucas Pinheiro, Guilherme Brasil Barcellos, Thainá Hilário da Silva, Tacio Leonardo Costa Dominguez e Ingrid Ohara Silva Nogueira. O ministro entendeu que, em relação a esses investigados, não havia justificativa suficiente para a manutenção da prisão preventiva diante do estágio atual do processo. Também pesaram o tempo de prisão cautelar, próximo de oito meses, e o entendimento de que eles não integrariam o núcleo central da organização investigada.
Apesar da decisão favorável aos sete investigados, o influenciador Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido como Buzeira, e o contador Rodrigo de Paula Morgado continuam presos preventivamente. Morgado é apontado pela Polícia Federal como um dos principais operadores financeiros do esquema investigado.
De acordo com as investigações, a Operação Narco Bet apura uma suposta organização criminosa que teria utilizado empresas, influenciadores digitais, apostas eletrônicas e ativos virtuais para ocultar recursos provenientes do tráfico internacional de drogas e de outras atividades ilícitas. Durante a operação, deflagrada em outubro de 2025, a Justiça também determinou o bloqueio de centenas de milhões de reais em bens e ativos financeiros.
Em decisões anteriores, o STJ entendeu que, no caso de Buzeira, permanecem presentes os requisitos para a prisão preventiva. O tribunal destacou a gravidade concreta dos fatos investigados, a suspeita de participação em organização criminosa, indícios de lavagem de dinheiro e o risco de continuidade das atividades criminosas, fundamentos que, segundo os ministros, tornam insuficientes outras medidas cautelares.
A informação sobre a revogação das prisões foi divulgada inicialmente pela jornalista Carine Roma, da BandNews FM, e confirmada pelo advogado Felipe Cassimiro, que atua na defesa de diversas figuras públicas. O processo segue em tramitação na Justiça Federal.