INVESTIGAÇÃO

Segurança, lutador e réu: saiba quem é o suspeito de matar empresário em Interlagos

Leandro Thallis Pinheiro, um dos investigados, foi preso por porte ilegal de arma e está ligado a um esquema de fraude

Adalberto Júnior desapareceu após participar de um evento motociclístico no Autódromo de Interlagos - Imagem: Reprodução / ND

William Oliveira Publicado em 19/07/2025, às 08h00

O homicídio do empresário Adalberto Júnior, de 35 anos, ocorrido no início de junho, revelou não apenas a tragédia de sua morte, mas também a complexidade de um caso envolvendo pessoas com históricos criminais. Leandro Thallis Pinheiro, um dos investigados, também responde a um processo por fraude envolvendo o desvio de recursos das Lojas Marabráz.

Na manhã de sexta-feira (18), Leandro foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão relacionado ao assassinato do empresário. Ele foi liberado algumas horas depois, após pagar fiança superior a R$ 1.800. Durante a operação, a polícia apreendeu dois celulares e um notebook que podem conter evidências relevantes para a investigação.

Leandro liderava a equipe de segurança de um evento no Autódromo de Interlagos, onde Adalberto foi visto pela última vez antes de desaparecer. O corpo do empresário foi encontrado em um buraco na Avenida Jacinto Júlio, em 3 de junho, levantando uma série de dúvidas ainda não esclarecidas pela Polícia Civil.

Envolvimento em fraude

A acusação contra Leandro remonta a 2011, quando R$ 212.922,53 foram desviados da empresa Lojas Marabráz. Mesmo após mais de uma década, o processo segue em andamento, com julgamento marcado para o próximo dia 30. Ele é apontado como uma peça-chave na operação fraudulenta, liderada por Cristiano Canela da Silva.

O esquema consistia na inserção indevida de dados bancários e pessoais em cadastros de montadores inativos, o que permitiu a Leandro receber R$ 59.701,74 de forma ilícita. A fraude foi descoberta após o setor administrativo da empresa identificar gastos excessivos com serviços prestados.

Uma auditoria interna confirmou as irregularidades, resultando na expedição de mandados de busca e na denúncia dos envolvidos pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). Além de Leandro e Cristiano, também estão implicados Guilherme de Oliveira Santos e Ricardo Silva Dias.

Mentoria do crime

Cristiano Canela, que trabalhava como assistente administrativo, usou sua posição para manipular pagamentos e registros. A denúncia do MPSP destaca sua liderança no esquema e sua capacidade de explorar a confiança da empresa.

Seus atos foram determinantes para o desvio dos valores, envolvendo diretamente os três comparsas. As denúncias formais contra os quatro acusados foram apresentadas em agosto de 2017.

Cronologia do desaparecimento

Adalberto Júnior desapareceu após participar de um evento motociclístico no Autódromo de Interlagos, onde esteve com um amigo. Segundo o relato, o dia transcorreu normalmente até que Adalberto decidiu sair para jantar com a esposa. Depois disso, não foi mais visto.

O amigo relatou que a última interação entre eles ocorreu às 21h15, momento em que Adalberto parecia alcoolizado e alterado pelo consumo de bebidas e substâncias durante o evento. No dia seguinte, a esposa questionou seu paradeiro por mensagem.

O corpo do empresário foi localizado por trabalhadores da construção civil, em um buraco com dimensões específicas na Avenida Jacinto Júlio. Segundo a diretora do DHPP, não havia ferimentos visíveis ou sinais claros de violência.

A autópsia indicou que ele pode ter permanecido no local por até 40 horas antes de ser encontrado, embora essa estimativa não coincida completamente com o período do desaparecimento.

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