Capital paulista responde por 20% dos casos registrados no Brasil em 2025; levantamento aponta mais de 830 mil aparelhos levados por criminosos no país ao longo do ano
Julio Cezar Souza Publicado em 23/07/2026, às 09h23
A cidade de São Paulo concentrou, sozinha, 20% de todos os roubos e furtos de celulares registrados no Brasil em 2025, apesar de reunir apenas 5,6% da população nacional. O dado coloca a capital paulista na terceira posição entre as cidades com maior taxa desse tipo de crime por habitante, atrás apenas de São Luís (MA) e Belém (PA), segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Ao longo do ano, São Paulo registrou 1.390,5 celulares roubados ou furtados para cada 100 mil habitantes, índice quase quatro vezes superior à média nacional, de 371,2 ocorrências por 100 mil moradores. Em todo o país, foram contabilizados mais de 830 mil aparelhos subtraídos, o equivalente a cerca de 95 casos por hora.
Além de São Luís e Belém, também figuram entre os municípios com maiores taxas Salvador (BA), Lauro de Freitas (BA), Porto Velho (RO), Manaus (AM), Olinda (PE), Ananindeua (PA) e Teresina (PI).
Apesar do elevado volume de ocorrências, o levantamento aponta uma redução de 7,7% no total de roubos e furtos de celulares em relação ao ano anterior. A queda foi impulsionada principalmente pela diminuição dos roubos, que passaram de 378 mil para 309 mil registros, retração de 18,6%.
Os furtos, por outro lado, apresentaram leve crescimento de 0,9%, passando de 477 mil para 484 mil ocorrências. Entre os estados brasileiros, apenas Rio de Janeiro e Paraíba registraram aumento no número total de casos, com altas de 22,7% e 21,1%, respectivamente.
Subnotificação preocupa especialistas
Embora os indicadores apontem redução nas estatísticas oficiais, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública avalia que os dados devem ser analisados com cautela devido à elevada subnotificação.
Segundo os especialistas Samira Bueno e Renato Sérgio de Lima, pesquisas de vitimização indicam que um número muito maior de brasileiros tem o celular roubado ou furtado do que aquele registrado pelas autoridades.
De acordo com levantamento do próprio FBSP, cerca de 8,3% da população com mais de 16 anos afirmou ter sido vítima desse tipo de crime, percentual que corresponde a aproximadamente 13,9 milhões de pessoas. Caso todas elas tivessem registrado boletim de ocorrência, o número oficial seria significativamente superior ao contabilizado pelas estatísticas de segurança pública.
Perfil das ocorrências
O estudo mostra que o estado de São Paulo concentra 32% de todos os roubos e furtos de celulares registrados no Brasil.
Os furtos ocorrem principalmente aos fins de semana, que concentram 34,5% das ocorrências. Os horários de maior incidência são entre 10h e 12h e entre 17h e 20h.
Já os roubos acontecem predominantemente nos dias úteis, responsáveis por 73,1% dos casos. Os registros apresentam dois períodos de maior concentração: entre 5h e 6h da manhã e, principalmente, entre 18h e 23h, com pico às 20h.
O levantamento também aponta diferenças no perfil das vítimas. Homens representam 59,8% dos casos de roubo, enquanto os furtos atingem homens e mulheres em proporções semelhantes. Pessoas negras correspondem a 66,9% das vítimas de roubo e a 57% das vítimas de furto de celulares.
Medidas para reduzir os crimes
Na avaliação do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, reduzir a atratividade econômica desse mercado ilegal é uma das principais estratégias para conter esse tipo de delito.
Entre as medidas apontadas estão o bloqueio remoto dos aparelhos, a inutilização dos dispositivos roubados, mecanismos que dificultem a revenda dos celulares, melhorias na iluminação pública e programas que facilitem o registro e o bloqueio imediato dos aparelhos pelos próprios usuários, como o Programa Brasil Seguro.