Saiba quanto ganhavam os “laranjas” do esquema bilionário ligado a MC Ryan SP

Investigação aponta movimentações incompatíveis com rendimentos e reforça suspeita de lavagem bilionária

Investigação revela que MC Ryan SP lidera esquema de lavagem com movimentação de R$ 260 bilhões e uso de 'laranjas'. - Imagem: Reprodução | Redes Sociais

Marina Milani Publicado em 19/04/2026, às 09h10

A Polícia Federal identificou que ao menos sete pessoas com renda mensal de até R$ 5 mil foram utilizadas como “laranjas” em um esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao funkeiro MC Ryan SP. Segundo as investigações, apenas esse grupo movimentou cerca de R$ 22,5 milhões entre abril de 2024 e dezembro de 2025.

De acordo com a PF, o artista é apontado como líder de uma estrutura criminosa que teria movimentado mais de R$ 260 bilhões. A apuração ocorre no âmbito da Operação Narco Fluxo, autorizada pela 5ª Vara Federal de Santos, que investiga o uso das indústrias fonográfica e do entretenimento para ocultar a origem de recursos ilícitos.

O funkeiro foi preso temporariamente na última quarta-feira (15). Entre os detidos também estão nomes como MC Poze do Rodo, o influenciador Raphael Sousa Oliveira e o casal Chrys Dias e Débora Paixão.

As investigações revelam um padrão recorrente: pessoas com rendimentos modestos movimentando valores milionários em curtos períodos. Um dos casos citados é o de um beneficiário de programas sociais que declarou renda de R$ 3 mil mensais, mas movimentou mais de R$ 4 milhões. Outro envolvido, com renda inferior a R$ 2 mil, realizou transferências que somam mais de R$ 1 milhão.

Segundo a PF, esses “laranjas” eram usados para fragmentar transações financeiras — técnica conhecida como smurfing — com o objetivo de dificultar o rastreamento por órgãos de controle como o Coaf e a Receita Federal. Em seguida, os valores eram direcionados à aquisição de bens de luxo ou reinseridos na economia formal.

Os investigadores afirmam que o esquema operava em duas etapas: a “estratificação”, que consiste na quebra do rastro do dinheiro, e a “integração”, quando os recursos retornam ao sistema financeiro com aparência lícita.

A operação mobilizou mais de 200 agentes e cumpre dezenas de mandados em diversos estados. A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens ligados aos investigados, além de outras medidas patrimoniais.

Em nota, a defesa de MC Ryan SP afirmou que não teve acesso integral aos autos, mas declarou confiar que os esclarecimentos comprovarão a legalidade das movimentações financeiras do artista. As demais defesas também informaram que irão se manifestar nos autos do processo.

As investigações seguem em andamento, e os envolvidos podem responder por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

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