Saneamento básico

Sabesp planeja nova adutora para reforçar abastecimento do Alto Tietê

Iniciativa busca reduzir impactos da irregularidade das chuvas na região metropolitana

A nova adutora de 38 km da Sabesp reforçará o abastecimento de água na Grande São Paulo, captando água do Rio Pequeno - Imagem: Reprodução/G1

Gabriela Nogueira Publicado em 21/01/2026, às 17h33

A Sabesp anunciou a construção de uma nova adutora para reforçar o abastecimento de água do Sistema Alto Tietê, um dos principais mananciais que atendem a Região Metropolitana de São Paulo. A estrutura terá cerca de 38 quilômetros de extensão e vai captar água do Rio Pequeno, um dos braços mais preservados da Represa Billings, no ABC paulista, levando o volume até a Represa de Taiçupeba, entre Suzano e Mogi das Cruzes.

O projeto prevê a transferência de até 4 mil litros de água por segundo, o que representa um acréscimo de aproximadamente 5% na capacidade total de produção do sistema. Atualmente, o Alto Tietê é formado por cinco reservatórios e responde pela segunda maior fatia do abastecimento da Grande São Paulo, atrás apenas do Sistema Cantareira.

A iniciativa surge em um momento de atenção para os níveis de armazenamento. Nos últimos meses, o Alto Tietê tem operado abaixo da média dos demais sistemas que abastecem a região metropolitana, reflexo de períodos de chuva menos intensos e mais irregulares.

Segundo a Sabesp, a nova adutora vai trazer mais segurança operacional, especialmente em épocas de estiagem. A água captada da Billings poderá ser usada de forma complementar e estratégica, ajudando a equilibrar a distribuição entre os sistemas e reduzindo o risco de desabastecimento em momentos críticos.

A proposta, no entanto, também levanta questionamentos ambientais. Moradores e ativistas da região do Rio Pequeno demonstram preocupação com os impactos da retirada contínua de água da bacia. O receio é que a transposição comprometa o equilíbrio do manancial, que integra um sistema natural de drenagem.

Especialistas em saneamento avaliam que a localização da Billings, próxima à Serra do Mar, onde os índices de chuva são mais elevados, favorece a reposição hídrica e reduz o risco de prejuízos ambientais, desde que a operação seja monitorada de forma rigorosa.

A obra retoma uma estratégia semelhante à adotada durante a crise hídrica de 2014 e 2015, quando uma transposição emergencial foi feita entre braços da Billings e o Alto Tietê. Na época, a estrutura instalada tinha caráter temporário. Agora, a Sabesp afirma que a nova adutora será permanente, com tubulações de aço e maior durabilidade, ampliando a resiliência do sistema de abastecimento da Grande São Paulo diante das mudanças climáticas.

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