Apresentador do SBT se defende após comentários sobre a deputada gerarem denúncia ao Ministério Público e forte repercussão nas redes sociais.
Ana Beatriz Publicado em 12/03/2026, às 16h22
O apresentador Ratinho, nome artístico de Carlos Roberto Massa, se manifestou após ser acusado de transfobia por declarações feitas durante seu programa no SBT sobre a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). O episódio ganhou grande repercussão nas redes sociais e levou a parlamentar a acionar o Ministério Público de São Paulo para investigar o caso.
A polêmica começou após Ratinho comentar, ao vivo, a eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Durante o programa, o apresentador questionou a escolha da parlamentar para o cargo e afirmou que, em sua visão, uma mulher trans não deveria ocupar a presidência da comissão destinada às mulheres.
Entre as declarações que provocaram críticas, Ratinho afirmou que, para ele, a definição de mulher estaria relacionada a características biológicas como ter útero e menstruar. As falas repercutiram imediatamente nas redes sociais e foram classificadas por críticos e por organizações ligadas aos direitos LGBTQIA+ como transfóbicas.
Após a repercussão, Erika Hilton anunciou que encaminhou uma representação ao Ministério Público pedindo investigação sobre as declarações. A deputada afirmou que as falas representam um ataque coletivo contra mulheres trans e que a situação precisa ser analisada pelas autoridades.
No Brasil, desde uma decisão do Supremo Tribunal Federal em 2019, atos de transfobia podem ser enquadrados na Lei do Racismo, o que permite a abertura de investigações criminais em casos de discriminação por identidade de gênero.
Diante da repercussão, Ratinho afirmou que não teve a intenção de ofender a parlamentar ou a comunidade trans e declarou que expressou apenas sua opinião pessoal durante o programa. Segundo o apresentador, ele não possui preconceito contra pessoas trans, mas entende que existem diferenças entre identidade de gênero e sexo biológico.
A polêmica também gerou reação institucional. O SBT divulgou uma nota afirmando que repudia qualquer tipo de discriminação e que as opiniões expressas pelo apresentador não representam necessariamente o posicionamento oficial da emissora.
Erika Hilton, que se tornou a primeira mulher trans a presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara, respondeu às críticas afirmando que continuará exercendo o cargo e defendendo políticas públicas voltadas à proteção das mulheres.
O caso reacendeu debates sobre identidade de gênero, representatividade política e limites da liberdade de expressão no país. Especialistas apontam que a discussão reflete a polarização existente no Brasil sobre direitos da população LGBTQIA+ e a presença de pessoas trans em cargos institucionais.