Levantamento mostra queda gradual desde 2024, mas revela bolsões de miséria concentrados no Centro e na Zona Leste
Gabriela Nogueira Publicado em 13/11/2025, às 18h47
A cidade mais rica do país convive com um cenário que contrasta com a pujança econômica. Mais de 470 mil famílias vivem hoje em situação de extrema pobreza em São Paulo, segundo dados da Prefeitura e do IBGE. Na prática, quase 10% da população sobrevive com menos de R$ 4 por dia — valor que evidencia o tamanho do desafio social na capital.
Os números mostram que a vulnerabilidade tem forte concentração territorial. A região da Sé, no Centro, registra o maior volume de famílias nessa condição. Em seguida aparecem Itaquera e São Mateus, na Zona Leste, áreas historicamente marcadas por alta densidade populacional e maior demanda por serviços públicos.
Apesar do cenário ainda elevado, os dados oficiais revelam uma trajetória de redução desde 2024:
596.715 famílias em extrema pobreza em janeiro de 2024
561.471 em março de 2024
494.357 em janeiro de 2025
474.392 em julho de 2025
A classificação segue o CadÚnico: é considerada em extrema pobreza a família com renda de até R$ 109 mensais por pessoa — cerca de R$ 15 por dia para despesas essenciais como alimentação, higiene, transporte e contas domésticas.
As subprefeituras com maior número de famílias nessa condição são:
Sé: 29.775
Itaquera: 25.948
São Mateus: 23.934
A Prefeitura de São Paulo afirma manter a maior rede de assistência social da América Latina, com cerca de 26 mil vagas em acolhimento destinadas à população em situação de rua. Segundo o município, mais de 5,4 milhões de refeições foram servidas neste ano, além da distribuição diária de 5,5 mil cestas básicas para reforço da segurança alimentar.
A administração municipal também informa que 13 mil pessoas participam de ações de qualificação profissional e programas de reinserção no mercado de trabalho, com foco em oportunidades que contribuam para a redução da pobreza nas regiões mais vulneráveis da cidade.